terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os Quatro Elementos

Oi, gente!

Eu adoro quando a proposta de redação é alguma coisa bem livre. Nossa última redação do ano tinha a proposta assim: "façam um texto poético." E pronto! Espero que vocês gostem do meu texto poético (bem chique, não é?) tanto quanto eu gostei do fato de o tema ser (quase) livre!

Os quatro elementos

Como era bom aquele tempo em que podia ser os quatro elementos do mundo. Às vezes, eu podia ser ar. Podia esvair-me de pensamentos ruins e migrar para a positividade e alegria tão rapidamente quanto o ar num corredor estreito. Podia ser invisível, mas muitas vezes impedi pessoas de caírem no sono devido ao meu assobio inconstante e irritante. Podia arrastar tudo e todos comigo, sem me importar com o lugar ou o momento em que os deixaria cair.

Às vezes, eu podia ser fogo. Podia arder quando me negavam algo que eu desejava há alguns meses ou até segundos, mas podia arder ainda mais quando, por ventura, caía e era banhado com mertiolate. Podia queimar quando, meticulosamente, preparava travessuras e artimanhas, e, quando me encontrava submerso na tristeza, podia transformar tudo em cinzas somente com meu toque.

Às vezes, eu podia ser água. Podia levar pra longe a tristeza e lavar o suor e o sangue daqueles que amava. Podia alegrar alguém, trazendo frescor num dia de verão. Podia ser versátil, e me encaixar em qualquer ambiente com destreza. E bastava o clima esquentar um pouco, que eu evaporava para fora de casa.

Às vezes, eu podia ser terra. Podia abrigar todos aqueles que necessitavam de mim, protegendo-os e confortando-os embaixo do meu casaco de grama. Podia oferecer às pessoas os frutos que preparava com o maior carinho do mundo, sem ter dó nem arrependimento ao saber que não seria possível obtê-los de volta. Podia fazer crescer dentro de mim as melhores lições e sentimentos da vida e deixá-los amadurecendo até o momento certo de aflorarem. Bastava que alguém me regasse.


O que vocês acharam? Esse foi meu melhor texto até agora, acham que vai dar pra me tornar escritora? Não sei. Talvez. Quem sabe?
Beijooo

domingo, 22 de dezembro de 2013

Perdão, Leonard Peacock

Oi, gente!

Nessas férias eu consegui, sim, fazer alguma coisa produtiva: terminar um livro! Hahaha! Eu tinha começado a ler antes das provas finais, e é claro que durante as provas eu conseguia ler no máximo uma linha e meia. Muita produtividade diária. Então, chegaram as férias e eu terminei esse tal livro de capa vermelha, chamado Perdão, Leonard Peacock.


É isso mesmo que você leu no topo da capa: o livro é do Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida (que eu confesso que nunca li... é bom?). As 224 páginas do livro retratam dois dias da vida do adolescente rejeitado Leonard Peacock. Mas aí você me pergunta: "Nossa, mas só dois dias?". Pois é, meu amigo, mas dois dias muito (MUITO) conturbados da vida desse pobre garoto. 

Leonard, após ter vivido uma vida sofrida por causa da ausência dos pais e de um trauma na infância, decide de uma vez por todas acabar com a própria vida. É, ele planeja se matar no dia de seu próprio aniversário, como se esse ato fosse um presente. Entretanto, antes do momento autodestruidor ele planeja se despedir das quatro pessoas mais importantes em sua vida e também matar o ex melhor amigo.

Achou muito dramático? Relaxa, porque eu também achei um pouco dramático e triste demais. Mas o legal nesse livro são as ideias de Leonard, que, narradas em primeira pessoa, impressionam e motivam. Se você não tiver um estômago forte, gostar de finais felizes declarados e geralmente condenar os suicidas, esse livro definitivamente não é pra você. Mas se você quiser tentar, acho que Leonard pode te ajudar a viver uma vida mais realista..

Espero que vocês gostem da minha dica!
Beijooo

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Para Paulinho

Oi gente!

Como prometido, aqui vai a minha redação. Ela é uma carta da fictícia tia Vera para seu fictício sobrinho de quinze anos, o Paulinho. Sabe como essas tias gostam de dar apelidos infantis para os sobrinhos, né? Bem, ela é baseada no filme "Intocáveis", aquele filme francês que ganhou muito sucesso, conquistando o mundo com o humor do ator principal (Omar Sy). Espero que vocês gostem!


Para Paulinho...

Oi, Paulinho, tudo bem com você?

Sei que você está bem melhor do que eu, pelo menos. Esses dias tenho sentido uma necessidade imensa de falar pelos cotovelos e pôr para fora tudo o que me enforca por dentro.Você já sabe o porquê, você é um menino muito inteligente para a idade que tem. Enfim, sinto em lhe informar, mas você é a próxima vítima do meu desabafo! Porém, saiba que você não foi escolhido por acaso nem por sorteio. Como eu já disse, você é um menino muito inteligente e vai entender tudo o que eu pretendo lhe dizer.

Na semana passada, eu vi um filme chamado Intocáveis, você já viu? Bom, não sei se foi devido ao falecimento do seu tio, ou à volta de todas as minhas memórias em conjunto, mas vi o filme praticamente todo embaçado, por causa da quantidade de lágrimas que saíam dos meus olhos sem cessar. Mas, pelo o que eu consegui ver nitidamente, confesso que pensei em você continuamente, durante a uma hora e cinquenta e sete minutos de filme.

Assim que o filme acabou, sentei-me na cama e comecei a pensar em tudo o que um jovem que acabara de completar quinze anos, como você, deve pensar da vida.

Eu tenho a consciência de que na sua idade já foram inúmeros os textos, redações e palestras sobre aproveitar avida que foram apresentados a você e a outros jovens de sua sala por professores de todas as matérias. Mas o que eu quero te dizer com esse e-mail é um pouco diferente desses ideais. E a diferença está tão perto de nós que é difícil enxergá-la: Eu te conheço. Eu te conheço melhor que todos os seus professores, todos os seus colegas, todo o mundo.

Agora, voltando ao filme... Eu sei que você já deve estar cansado desse texto e de meus frequentes e profundos ataques de choro, neurose e depressão, mas lhe peço (não por mim, mas por você) que não pare de ler. Pelo menos, não agora. No filme, podemos perceber que o que realmente vale na vida é simplesmente ser você mesmo. Paulinho, aconteça o que acontecer, não faça como eu, e tenha sua própria opinião. Se imponha. Faça seu trabalho valer a pena. Não mude por causa dos outros.

No filme, o personagem principal permanece do jeito que ele á até o final da narrativa. E quer saber uma coisa? No final, é ele quem sai ganhando. Mas ganhando experiência, felicidade, confiança... E dessa maneira ele aperfeiçoa todas as dimensões de sua personalidade única. E são exatamente essas qualidades que eu espero que você adquira na idade que tem, uma vez que você não tem absolutamente nada a perder.

Ah, Paulinho! Tem mais uma coisa que eu gostaria de dizer antes de bater na tecla do ponto final desse texto, que para você pode parecer interminável: Obrigada! Obrigada por ter me apoiado nos momentos mais difíceis da minha vida. Obrigada por sempre alegrar meu dia com o seu jeitinho especial, que eu espero que nunca mude. Obrigada por ter me dado a esperança de que amanhã sempre será um dia melhor. Obrigada por tentar fazer com que eu veja a vida sem uma camada embaçada de choro. Obrigada por você ser apenas você mesmo.


Um abraço apertado...

Da sua tia Vera

:') Ai, gente, me deu até vontade de ser tia e poder mandar uns e-mails desses pros meus sobrinhos! Na foto aqui em cima podemos ver a tia Vera com seu sobrinho Paulo quando ele era pequeno (aham).O qu vocês acharam? Comentem para que eu possa melhorar!
Beijooo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Futuro

Oi gente!

Sabe, às vezes fico pensando como é que vai ser o futuro. Porque, sabe, é o futuro. Essa palavra dá a ideia de uma coisa distante, recheada de sonhos, vontades e desafios. Mas, se pararmos pra pensar, o futuro também é daqui a 1 segundo. Que seria AGORA. Mas... o agora é o presente, e não o futuro. E mesmo que o futuro seja daqui a 0,00000000001 segundo, a gente nunca vai conseguir vivê-lo, porque quando ele chegar não vai mais ser ele mesmo, vai ser o presente. Deu pra entender a minha cabecinha pensante?

Agora eu me dei conta de todos os meus planos para o futuro: faculdade, bom trabalho, começar uma família, morar em outro país... Todos eles estão no futuro, certo? Mas, considerando o que eu escrevi no último parágrafo, não vou conseguir viver meus planos, pois o futuro, na verdade, não existe até o momento em que você o vive e ele passa a ser chamado de presente.

Resumindo: não dá pra viver o futuro. Simples assim: não dá. Mas isso não um fundamento baseado num clichê; a gente já passou pelo sentido literal dele nos outros parágrafos, né. Então, não fica aí pensando no que vai ou no que não vai acontecer, em quem você vai ou não vai conhecer, porque  isso tudo não é importante. O importante é você viver aqui e agora. Fazer o que você quer fazer (mas com responsabilidade, viu?)! Tem planos a fazer? Ponha-os em prática agora! Porque, você sabe, o futuro não vai te cutucar e falar: "oi, cheguei!".

#filosofei, hahaha! Bem, espero que vocês tenham gostado do meu pensamento. Se vocês alguma vez se perguntaram o que se passa na minha cabeça, a resposta está aí, bem diante dos seus olhos! Na próxima postagem eu vou mostrar pra vocês outra redação baseada nessa coisa que você leram, ok?
Beijooo

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Peso Da Verdade

Gente, deixei vocês na mão (acho, né?).

Queria pedir desculpas por não ter postado nada e ter deixado o blog à deriva por mais de um mês. UM MÊS! O motivo pode ser explicado em apenas uma palavra: férias. Pois é, eu sei que eu comentei em uma das publicações passadas (que tenho que fazer uma forcinha pra lembrar por causa do meu sumiço) que eu iria postar todos os dias dos meus quase dois meses com tempo livre Mas o que realmente aconteceu é que esse tempo livre não existe! Eu estou mais é curtindo as minhas mais que merecidas férias ;)

Bem, vamos para o assunto literário de hoje, podemos? A última postagem foi sobre o livro O Caçador de Pipas. Se vocês leram, ótimo. Se não leram... Desculpe, mas essa postagem não é pra vocês! O que vocês leriam aqui estragaria a história, dando um belo de um spoiler pra todos que queriam ter lido, mas ainda não leram. Parem de ler agora e vão lá na livraria!

Enfim, o texto a seguir foi, realmente, uma prova de avaliação de leitura lá da escola. Eles queriam saber se a gente realmente leu o livro, ou se só ficou de bobeira esperando que um resumo na internet daria conta do recado. Mas dessa vez não foi bem uma prova, foi uma redação! Imaginem minha cara de felicidade quando descobri isso! A gente tinha que escrever o que aconteceria se Hassan tivesse negado o roubo do relógio. Como eu sou uma "garota dos finais felizes", já podem imaginar  que eu escrevi.


O peso da verdade

Agora Amir estava deitado em sua cama, olhando para o teto pintado de bege. Há apenas algumas horas, estava em sua festa de aniversário, que deixara evidências no quintal. Virou a cabeça para a esquerda e viu a montanha de presentes no canto do quarto; estremeceu quando notou uma extremidade do presente de Hassan e Ali embaixo de tudo, sofrendo o peso de todos os outros.

Estremeceu mais ainda quando lembrou-se de Assef. Sua lembrança causava arrepios em Amir, assim como a lembrança do livro que ganhara, a biografia de Adolf Hitler, que jazia em algum canto do quintal.

Amir avistou o relógio que baba lhe dera e um súbito pensamento tirou todo o sangue de sua face corada. Como ainda era cedo e Ali e Hassan já se ocupavam com as tarefas diárias, Amir se esgueirou pela casa, sorrateiramente, até o casebre de madeira no quintal, e enfiou o relógio e umas notas de dinheiro embaixo do colchão de Hassan. Amir sentiu um estranho sentimento de alívio: finalmente chegara o momento em que não precisaria mais se culpar, se judiar com o arrependimento daquilo que poderia ter sido evitado. Pelo menos era isso em que pensava.

As horas foram se passando e as olheiras se cavando no rosto de Amir até que baba chamou todos na casa para uma conversa em sua sala. Amir, Hassan, Ali e baba estavam sentados tensos nas cadeiras de madeira, e essa situação piorou após baba perguntar se Hassan havia realmente roubado o relógio de Amir. Amir encolheu-se. Realmente, desejava que Hassan negasse o roubo e que enfim pudesse receber o que merecia por ter se mantido imóvel n dia em que Hassan mais precisava de alguém. E a resposta foi negativa.

Baba, incrédulo, lançou um olhar mortiço a Amir e pediu que os outros dois se retirassem. O que se seguiu foi uma série de gritos, desaforo e choro seguido da frase que Amir mais temia ouvir: "Eu tenho vergonha de você".

Inevitavelmente, os dias que se seguiram passaram por Amir como a brisa que bate em uma folha. Ele sentia uma imensa vontade de contar tudo  o que vira ao mesmo tempo que preferia que as lágrimas falassem por ele. Depois daquele dia fatídico, não brincara com Hassan, por mais que ele batesse em sua porta todos os dias.

Um dia, Hassan entrou sem bater. Os dois ficaram se olhando por um tempo, até que Hassan começou a falar tudo. Ele contou que vira Amir no dia em que fora estuprado. Ele contou o quanto chorara quando encontrou o relógio e o dinheiro em seu colchão, desesperado por não saber  que dizer. Ele contou o quanto sofrera ao ouvir os gritos abafados de baba. E ele contou que o perdoava. E contou que, por Amir, o faria mil vezes.

Amir chorava, sorrindo. Mesmo sabendo que nunca mais poderia olhar nos olhos do pai, sabia que teria um amigo para a eternidade, e que nada mais poderia separá-los. Disse a Hassan que nunca perdoaria a si mesmo, mas que esse era o preço por aquilo que fizera. Os dois saíram para a colina cada um com dois livros na mão, enquanto baba os olhava pela janela de sua sala. Uma lágrima lhe percorria o rosto.


Gostaram? Eu, particular e modestamente, gostei. Se bem que enquanto eu passava da folha de redação para o computador fiz várias mudanças imaginárias! Bem, agora eu prometo que vou postar mais!
Beijooo