Gente, deixei vocês na mão (acho, né?).
Queria pedir desculpas por não ter postado nada e ter deixado o blog à deriva por mais de um mês. UM MÊS! O motivo pode ser explicado em apenas uma palavra: férias. Pois é, eu sei que eu comentei em uma das publicações passadas (que tenho que fazer uma forcinha pra lembrar por causa do meu sumiço) que eu iria postar todos os dias dos meus quase dois meses com tempo livre Mas o que realmente aconteceu é que esse tempo livre não existe! Eu estou mais é curtindo as minhas mais que merecidas férias ;)
Bem, vamos para o assunto literário de hoje, podemos? A última postagem foi sobre o livro
O Caçador de Pipas. Se vocês leram, ótimo. Se não leram... Desculpe, mas essa postagem não é pra vocês! O que vocês leriam aqui estragaria a história, dando um belo de um
spoiler pra todos que queriam ter lido, mas ainda não leram. Parem de ler agora e vão lá na livraria!
Enfim, o texto a seguir foi, realmente, uma prova de avaliação de leitura lá da escola. Eles queriam saber se a gente realmente leu o livro, ou se só ficou de bobeira esperando que um resumo na internet daria conta do recado. Mas dessa vez não foi bem uma prova, foi uma redação! Imaginem minha cara de felicidade quando descobri isso! A gente tinha que escrever o que aconteceria se Hassan tivesse negado o roubo do relógio. Como eu sou uma "garota dos finais felizes", já podem imaginar que eu escrevi.
O peso da verdade
Agora Amir estava deitado em sua cama, olhando para o teto pintado de bege. Há apenas algumas horas, estava em sua festa de aniversário, que deixara evidências no quintal. Virou a cabeça para a esquerda e viu a montanha de presentes no canto do quarto; estremeceu quando notou uma extremidade do presente de Hassan e Ali embaixo de tudo, sofrendo o peso de todos os outros.
Estremeceu mais ainda quando lembrou-se de Assef. Sua lembrança causava arrepios em Amir, assim como a lembrança do livro que ganhara, a biografia de Adolf Hitler, que jazia em algum canto do quintal.
Amir avistou o relógio que baba lhe dera e um súbito pensamento tirou todo o sangue de sua face corada. Como ainda era cedo e Ali e Hassan já se ocupavam com as tarefas diárias, Amir se esgueirou pela casa, sorrateiramente, até o casebre de madeira no quintal, e enfiou o relógio e umas notas de dinheiro embaixo do colchão de Hassan. Amir sentiu um estranho sentimento de alívio: finalmente chegara o momento em que não precisaria mais se culpar, se judiar com o arrependimento daquilo que poderia ter sido evitado. Pelo menos era isso em que pensava.
As horas foram se passando e as olheiras se cavando no rosto de Amir até que baba chamou todos na casa para uma conversa em sua sala. Amir, Hassan, Ali e baba estavam sentados tensos nas cadeiras de madeira, e essa situação piorou após baba perguntar se Hassan havia realmente roubado o relógio de Amir. Amir encolheu-se. Realmente, desejava que Hassan negasse o roubo e que enfim pudesse receber o que merecia por ter se mantido imóvel n dia em que Hassan mais precisava de alguém. E a resposta foi negativa.
Baba, incrédulo, lançou um olhar mortiço a Amir e pediu que os outros dois se retirassem. O que se seguiu foi uma série de gritos, desaforo e choro seguido da frase que Amir mais temia ouvir: "Eu tenho vergonha de você".
Inevitavelmente, os dias que se seguiram passaram por Amir como a brisa que bate em uma folha. Ele sentia uma imensa vontade de contar tudo o que vira ao mesmo tempo que preferia que as lágrimas falassem por ele. Depois daquele dia fatídico, não brincara com Hassan, por mais que ele batesse em sua porta todos os dias.
Um dia, Hassan entrou sem bater. Os dois ficaram se olhando por um tempo, até que Hassan começou a falar tudo. Ele contou que vira Amir no dia em que fora estuprado. Ele contou o quanto chorara quando encontrou o relógio e o dinheiro em seu colchão, desesperado por não saber que dizer. Ele contou o quanto sofrera ao ouvir os gritos abafados de baba. E ele contou que o perdoava. E contou que, por Amir, o faria mil vezes.
Amir chorava, sorrindo. Mesmo sabendo que nunca mais poderia olhar nos olhos do pai, sabia que teria um amigo para a eternidade, e que nada mais poderia separá-los. Disse a Hassan que nunca perdoaria a si mesmo, mas que esse era o preço por aquilo que fizera. Os dois saíram para a colina cada um com dois livros na mão, enquanto baba os olhava pela janela de sua sala. Uma lágrima lhe percorria o rosto.
Gostaram? Eu, particular e modestamente, gostei. Se bem que enquanto eu passava da folha de redação para o computador fiz várias mudanças imaginárias! Bem, agora eu prometo que vou postar mais!
Beijooo