Esse foi o primeiro conto que eu fiz na minha vida inteira. E, como raramente gosto muito de alguma coisa que faço, não gostei muito desse. Mas eu tirei 8,5... Nada mal, mas podia ser melhor!
Enfim, a proposta era que continuássemos o trecho de um outro conto já publicado, que ficou famoso por ser tão utilizado em redações escolares.
A leitora
O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto.
Disse a clássica palavra de saudação ao telefone de tal forma que quem estivesse do outro lado da linha tinha certeza de que não ligara em boa hora. Ela não obteve resposta.
Desligou, contou até dez duas vezes para se livrar do sentimento de irritação que se intrometera na sua leitura empolgante. Embora a ligação tenha demorado nada mais que uns 4 segundos, uma eternidade pareceu se passar em vão devido ao intervalo forçado da leitura.
Dirigiu-se à poltrona na qual estava sentada anteriormente. Mal aproximou as costas no encosto macio, o som estridente do telefone voltou a ecoar em seus ouvidos. Levantou-se com o dobro de desgosto da primeira vez e atendeu o chamado com somente um grunhido, aquele que adolescentes balbuciam quando seus pais os chamam. Dessa vez tinha até um pouco de esperança de que alguém respondesse, mas isso não aconteceu.
Acalmou-se, a princípio como da vez anterior, só que dessa vez foi necessário um pouco mais de tempo. Sentou-se e logo começou a ler, não queria perder mais nem um segundo para descobrir quem matara a garota do livro. E então ela ouviu um som. Era familiar, porém parecia diferente. Era alto, muito alto, estridente, denunciador: o telefone.
A moça se recusou a atender, fingiu que não estava ouvindo para continuar sua leitura, mas a cada palavra que lia o som ficava mais insuportável. O livro caiu de suas mãos, que agora estavam ocupadas em proteger seus ouvidos, que pareciam latejar. De nada adiantou e, com as pupilas de seus olhos negros dilatadas, correu, encostou o telefone ao lóbulo e por mais que ele pesasse, por mais que esse simples ato doesse, gritou. Gritou mais alto que o telefone.
E houve resposta. Ouviu a voz preocupada de sua mãe, que ligava para dizer que tinha saudades da filha que saíra de casa precocemente. E para dizer que a amava.
Depois de um certo tempo, desligou, voltou à poltrona. Não pegou o livro. Só ficou sentada, pensando que amou o livro mais do que a própria mãe. E sem saber quem matara a garota, rasgou-o. Rasgou-o em vários pedaços.
Pois é, gente. É isso. se não gostaram, tudo bem. Nem eu mesma gostei! Comenta aí o que você achou ou o que eu poderia mudar para deixá-lo um pouquinho melhor!
Beijooo

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