quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Desculpas!

Oi, gente!
Tudo bem?

Bem, eu queria me desculpar por não ter postado quase nada esses dias... A vida na escola está muito difícil, e eu mal tenho tempo para respirar um pouco melhor.

Mas não desanimem, porque assim que eu tiver um tempinho postarei mais!
Beijooo

domingo, 13 de outubro de 2013

Os Sapatos

Oi gente!

Bom, como prometido vou postar o conto que fiz com a minha amiga Giuliana Maruca, o qual foi premiado no Contando 2013. Se você leu o texto "Mariana", do Machado de Assis, perceberá que o comecinho é o mesmo. Tomara que vocês gostem!

Os Sapatos

Voltei de Europa depois de uma ausência de quinze anos. Era quanto bastava para vir achar muita coisa mudada. Alguns amigos tinham morrido, outros estavam casados, outros viúvos. Quatro ou cinco tinham-se feito homens públicos, e um deles acabava de ser ministro do Estado. Sobre todos eles pesavam quinze anos de desilusões e cansaço. Eu, entretanto, vinha tão moço como fora, não no rosto e nos cabelos, que começavam a esbranquecer, mas na alma e no coração que estavam em flor. Foi essa a vantagem que tirei das minhas constantes viagens. Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio. Mas deixemos essas filosofias inúteis.

Não são filosofias inúteis que nos levam a lugar algum. Muito pelo contrário, são as ações que realizamos que nos levam a conhecer as mais maravilhosas coisas do mundo. E a maneira pela qual aprendi essa lição foi a mais dolorosa e inesquecível de todas as maneiras para que o nosso mortal aprendizado floresça. Deixe-me contá-la, para que o prezado leitor nunca venha a repetir o meu desventurado feito.

Era outono, manhã fria e chuvosa na qual o orvalho mais parecia chorar, se acabando, do que simplesmente anunciar a chegada do tal outono. Não era de espantar a tamanha ferocidade com a qual o vento insistia em ventar, num ímpeto de arrancar as folhas das árvores, a fim de lançá-las em algum lugar longínquo qualquer. E foi naquela manhã o infeliz ocorrido.

Desde o dia em que comecei a trabalhar naquela empresa, lembro-me de ter que passar pela mesma calçada esburacada, que, ao se encontrar com outra calçada, formava uma esquina daquelas de filme, onde ocorrem os assaltos ou os espiões se escondem para investigar os criminosos. Diante dessa tal esquina, estendia-se uma simples e corriqueira faixa de pedestres, que, para mim, significava algo além de listras brancas cortando o calçamento. Foi ali que a vi.

Um rosto anguloso, emoldurado por uma cascata de cabelos castanhos ondulados, pertencente a um corpo esguio e perfeitamente estruturado desfilava tranquilamente pela faixa de pedestres, de um jeito tão feliz e despreocupado que até se equiparava ao andar de uma criança. E, Deus, como era bela! Minha atenção estava completamente voltada para a tal donzela, tanto que não acatei o que a senhora que caminhava ao meu lado dissera. Pedi que repetisse, e ela reafirmou, gentilmente:

- Cuidado, meu senhor. Seus sapatos estão desamarrados!

Agradeci sucintamente a cortesia, ansioso para pousar meus olhos nos da moça, que, para meu desalento, já não se encontrava mais na faixa de pedestres. Só então me lembrei de amarrar os sapatos. Mas... amarrá-los para quê?

E esse mesmo episódio repetiu-se todos os dias dali em diante. Meiga, avoada e alheia ao mundo, o perfume que ela exalava era como o frescor das flores que, com toda sua fragilidade, acaricia o corpo dos pássaros que por elas sobejam. Donzela de um ar tão jovial, que me fazia estremecer pés e mãos, fazendo formar-se em mim incontrolável timidez. Falar com ela? Era o que meu coração, já inteiramente apaixonado, me mandava fazer, porém estava impedido pelo temor intermitente que me tomava.

Certa manhã, como aquela da ventania que caracterizava o meu singelo outono, diante das listras brancas que enfeitavam o chão eu parei, me abaixando para amarrar os cadarços dos benditos sapatos dos quais todos tanto falavam, quando vi a garota em seu caminhar suave e abstraído. Amarrei meus sapatos com um nó de deixar marinheiro de queixo caído, e, quando voltei à posição ereta, vi a garota estirada no meio da faixa, com olhar infinito, distante. E ao seu lado um homem corpulento desarmonizava o ambiente, saindo de seu carro levemente amassado e bradando, exclamando por ajuda, enquanto eu olhava alucinada e desesperadamente nos olhos da moça, que nunca mais pestanejariam nem reluziriam em minha direção. Aquela cena caiu sobre mim como uma estaca de madeira maciça cairia sobre a cabeça de qualquer mortal, quebrando-me os pensamentos, a razão, a vontade e a capacidade de viver. Por quê? Por quê? Malditos sapatos! malditos os dias que passam sem pudor! Maldita a vergonha que me tomava! Maldita a razão que me fixava no chão, quando o certo era voar! Maldito o ser humano, que se deixa enclausurar pelos próprios temores, deixando passar tão perto de si, ao mesmo tempo que de forma tão inalcançável, o melhor da vida. Maldita a filosofia excessiva em lugar da conduta! Maldito seja eu, que por me deixar vencer pelo temor e palavras alheias, perdi a maior oportunidade da minha vida: deixar de cruzar com a garota na faixa, passando a caminhar ao seu lado, com seus dedos entrelaçados nos meus de um lado, e do outro meus dedos entrelaçados a dedinhos frágeis e recém-formados de uma criança. Foi então que eu disse adeus àquela esquina, àquelas listras brancas e à minha alma gêmea. Fui-me embora.

Bom, gente... É isso! Acho que foi a história mais tensa que eu já escrevi na minha vida, mas valeu a pena. Fico agora imaginando o que aconteceu com o moço depois...
Beijooo

sábado, 12 de outubro de 2013

Contando com Machado de Assis

Oi gente!

Sei que faz um tempo que eu dou sinais de vida por aqui, mas saibam que está tudo bem! Tive que evitar computadores durante essa semana, tive muita lição de casa e provas... Mas está tudo bem, já passei de ano em matemática mesmo...

Enfim, hoje eu vou mostrar pra vocês um conto (mais um conto!) que eu fiz com a minha melhor amiga Giuliana Garcia Maruca. Esse conto teve de ser escrito para o projeto "Contando com Machado de Assis", no Colégio Dante Alighieri, o qual premiaria os dez melhores textos. Na verdade, os contos do nono ano estavam tão bons que foram escolhidos quinze textos. A proposta era continuar um dos trechos dos mais famosos contos do Machado em dupla: "Um apólogo", "História de uma fita azul", "Mariana" e "Missa do galo".

Você pode lê-los nos links abaixo:
Um apólogo: http://www.releituras.com/machadodeassis_apologo.asp
História de uma fita azul: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/centenario-de-machado-de-assis/historia-de-uma-fita-azul.php
Mariana: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/centenario-de-machado-de-assis/mariana.php
Missa do galo: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/missadogalo.htm


Bom, a gente escolheu "Mariana" por ter sido o único que acendeu uma luzinha na nossa cabeça. O prazo do envio do conto, que era para ser feito na internet, estava se aproximando, e a gente nem tinha uma ideia ainda. Até que eu tive que ir no médico fazer alguns exames de rotina, e enquanto esperava coloquei meus fones de ouvido e fiquei pensando no que poderíamos escrever. E então eu tive a ideia! Mas, naquele tempo, nem passava pela minha cabeça a possibilidade daquela ser uma das quinze ideias vencedoras. Mas foi.

A premiação aconteceu na semana retrasada, primeiro de outubro. Foi espetacular. Um ex-aluno do Dante, que se tornou um ótimo ator, fez o papel de Machado de Assis, em uma bela homenagem. Ganhamos um exemplar de um livro que continha todos os textos ganhadores, inclusive o nosso.

Além disso, na aula de artes, tivemos que fazer uma ilustração para um dos mesmos quatro textos do Machado. Coincidentemente, fui sorteada para fazer a ilustração do mesmo conto que continuei, "Mariana". E, adivinha? Minha ilustração também foi premiada!

Bom, gente... Eu me empolguei um pouquinho aqui, e a publicação vai ficar muito longa se eu escrever meu texto aqui também. Fica pra amanhã, tá? Prometido ;)
Beijooo

domingo, 6 de outubro de 2013

Nas asas da sorte

Oi gente!

Como prometido, vou mostrar pra vocês meu texto baseado no conto "Natal Na Barca", também da maravilhosa Lygia Fagundes Telles, cujo sucesso já mencionei numa publicação anterior. O terceiro, para ser mais exata! Eu gostei, mas tirei 7,5... Ah, mas quem sabe, né?

Nas asas da sorte

E ali eu me encontrava, na barca calma e sóbria. Quem dera eu me sentisse como a barca naquele momento de aflição. Eu observava a mulher, a poucos metros de distância, e por mais que eu tentasse desviar meu olhar do dela, a única coisa que ocupava a minha mente era uma pergunta: e se ela descobrir?

Foi então que, focando na paisagem atrás da moça, que ainda permanecia no meu campo de visão, enxerguei o cais. Meu coração, nessa altura do campeonato, estava a mil batimentos por minuto. Minha mente, transtornada pela minha indagação constante. Deus, ela não pode descobrir.

E o meu medo agora se alastrava por todo o meu corpo: minhas mãos suavam, minhas pernas chacoalhavam, minha mandíbula se tensionava e minha face corava. E tive pavor de que os passageiros da barca (que, para mim, estavam reduzidos a um simples "ela") começassem a perceber, pois sempre tenho a sensação de que todos os seres desse miserável planeta têm acesso aos meus estranhos pensamentos. E como que para agravar a tontura que me tomava, a barca agora enfrentava ondas, mais bruscas e desconcertantes.

Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma longa curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:

- Chegamos!... Ei, chegamos!

E então, para o meu desalento, pensei que agora estava voando nas asas da sorte, que, como era de se esperar, me deixaria cair num profundo e infinito buraco. Apressei-me para ser o primeiro passageiro a deixar a barca, e quando apoiei o corpo em terra firme, ouvi. Ouvi aquele grito, agudo, feminino, de terror e indignação, que certamente poderia ser ouvido a quilômetros de distância, que ecoaria em minha mente para sempre: ela descobrira.


Bom, gente... Espero que vocês tenham gostado!
Beijooo

sábado, 5 de outubro de 2013

Natal Na Barca

Oi gente!

Hoje eu vou mostrar pra vocês um dos meus contos favoritos: "Natal Na Barca", de Lygia fagundes Telles. É um texto cujo tema é a fé, e tem um final realmente surpreendente! Confiram, pois é muito bom!


Natal Na Barca

Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.

O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.

Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.

Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.

A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.

— Tão gelada — estranhei, enxugando a mão.

— Mas de manhã é quente.

Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.

— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.

— Quente?

— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas?

Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta:

— Mas a senhora mora aqui perto?

— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje...

A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.

— Seu filho?

— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre, só febre... Mas Deus não vai me abandonar.

— É o caçula?

Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce.

— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito... Tinha pouco mais de quatro anos.

Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.

— E esse? Que idade tem?

— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado... A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.

Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-los até aquele instante. E agora não tinha forças para rompê-los.

— Seu marido está à sua espera?

— Meu marido me abandonou.

Sentei-me e tive vontade de rir. Incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta porque agora não podia mais parar, ah! aquele sistema dos vasos comunicantes.

— Há muito tempo? Que seu marido...

— Faz uns seis meses. Vivíamos tão bem, mas tão bem. Foi quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, me falou nela fazendo uma brincadeira, a Bila enfeiou, sabe que de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito? Não tocou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café, leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda fez assim com a mão, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me deu um adeus através da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio... Mas eu estava com a mão molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.

Olhei as nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma certa irritação me fez andar.

— A senhora é conformada.

— Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou.

— Deus — repeti vagamente.

— A senhora não acredita em Deus?

— Acredito — murmurei. E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela segurança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas...

Ela mudou a posição da criança, passando-a do ombro direito para o esquerdo. E começou com voz quente de paixão:

— Foi logo depois da morte do meu menino. Acordei uma noite tão desesperada que saí pela rua afora, enfiei um casaco e saí descalça e chorando feito louca, chamando por ele! Sentei num banco do jardim onde toda tarde ele ia brincar. E fiquei pedindo, pedindo com tamanha força, que ele, que gostava tanto de mágica, fizesse essa mágica de me aparecer só mais uma vez, não precisava ficar, se mostrasse só um instante, ao menos mais uma vez, só mais uma! Quando fiquei sem lágrimas, encostei a cabeça no banco e não sei como dormi. Então sonhei e no sonho Deus me apareceu, quer dizer, senti que ele pegava na minha mão com sua mão de luz. E vi o meu menino brincando com o Menino Jesus no jardim do Paraíso. Assim que ele me viu, parou de brincar e veio rindo ao meu encontro e me beijou tanto, tanto... Era tamanha sua alegria que acordei rindo também, com o sol batendo em mim.

Fiquei sem saber o que dizer. Esbocei um gesto e em seguida, apenas para fazer alguma coisa, levantei a ponta do xale que cobria a cabeça da criança. Deixei cair o xale novamente e voltei-me para o rio. O menino estava morto. Entrelacei as mãos para dominar o tremor que me sacudiu. Estava morto. A mãe continuava a niná-lo, apertando-o contra o peito. Mas ele estava morto.

Debrucei-me na grade da barca e respirei penosamente: era como se estivesse mergulhada até o pescoço naquela água. Senti que a mulher se agitou atrás de mim

— Estamos chegando — anunciou.

Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma larga curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:

- Chegamos!... Ei! chegamos!

Aproximei-me evitando encará-la.

— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente, estendendo a mão.

Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu pudesse impedi-lo, afastou o xale que cobria a cabeça do filho.

— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.

— Acordou?!

Ela sorriu:

— Veja...

Inclinei-me. A criança abrira os olhos — aqueles olhos que eu vira cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na face corada. Fiquei olhando sem conseguir falar.

— Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.

Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na noite.

Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.


Bom, gente, espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei!
Beijooo

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A História Sem Fim

Oi gente!

Comecei a ler nessa semana o livro "A História Sem Fim", de Michael Ende. Adoro como o sobrenome do autor combina com o título de sua obra. Irônico, não?

Bem, lembro-me que fui ao Shopping Bourbon, e como sempre, dei uma passadinha na Livraria Cultura que tem lá. Eu não resisto, e só saio de lá sem uma sacolinha quando esqueço a carteira. Enfim, eu só sei que bati o olho nesse livro e já fui colocando os outros que eu tinha separado de volta na prateleira, pois eu sabia que aquele seria o único que eu levaria (só pra ele se sentir especial, como eu achava que ele seria).

Nossa, ele é simplesmente maravilhoso: capa dura, lombada azul (minha cor favorita), título escrito em letras clássicas e uma imagem rebuscada linda, simples, sem verniz, lisinho... Ah...Ele é tão lindo que eu até levei pra escola e deixei ele em cima da mesa pra todo mundo ver. A única coisa que estraga é o símbolo da editora na capa. Poderia estar atrás, né?


Eu sei que tem um filme que fez bastante sucesso há um tempo, mas eu nunca vi. E ainda bem que eu nunca vi, porque eu odeio quando eu vejo o filme do livro antes de ler o livro. Vocês já assistiram? É bom?

O legal dos livros é que você nunca sabe o que vai acontecer. No entanto, a solução está bem ali, diante de seus olhos. Cabe a você a decisão de pular algumas páginas ou absorver o máximo de detalhes e situações incríveis que podem acontecer até o desfecho. Entendem como é diferente dos filmes? Nesses a gente não sente a tentação que sentimos quando temos um livro em nossas mãos.

Bom, essa postagem foi mais para contar as novidades e desabafar do que para passar algum conhecimento pra vocês, mas já que antes de criar o blog eu prometi pra mim mesma que colocaria tudo sobre o ato de ler... Tá valendo!

Bom, espero que vocês tenham gostado!
Beijooo




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Venha Ver o Pôr-do-sol (Continuação)

Oi gente!

Bem, como prometido, aqui vai a minha continuação do fabuloso texto "Venha Ver o Pôr-do-sol", de Lygia Fagundes Telles. Se você ainda não leu, você encontrará o link para o texto na publicação anterior!
Nessa redação, eu tirei 9,0. Merecido? Não sei...

Venha ver o pôr-do-sol

Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados, como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.

Dentre essas crianças que ao longe brincavam, havia uma com curiosidade excepcional. A garota de olhos e cabelos castanhos e aspecto saudável decidiu, então, seguir o estranho homem que entrara acompanhado no cemitério e saíra vagarosamente do mesmo. Mas sozinho. Ela gostava de seguir as pessoas. Achava empolgante e emocionante saber de suas vidas.

Era verão, e o sol ainda estava forte às cinco horas da tarde. A garota tinha ainda duas horas restantes, pois sua mãe somente se lembrava da existência da filha que brincava fora de casa o dia inteiro na hora de chamá-la para jantar. Dessa maneira, a menina pôs-se a andar silenciosamente atrás do misterioso homem.

Não se sabe se foi por desatenção ou por perturbação, mas ele não notou a presença da criança que o acompanhava por mais de quarenta e cinco minutos de percurso ladeira abaixo.A garota levou um susto quando o homem parou inesperadamente no meio da rua. Distraída, a olhar os bem-te-vis nos telhados das agora não tão raras casas, quase esbarrou bruscamente no homem. Ela se escondeu num arbusto próximo, de modo que podia assistir aos movimentos do homem que agora observava pela janela de uma casa um casal se beijando.

A menina achou a cena estranha, pois já havia visto inúmeras vezes o homem que estava na casa andando pela cidade de mãos dadas a uma outra mulher elegante, que tinha lindos, misteriosos e oblíquos olhos verdes. O sangue desapareceu da face da criança assim que viu o homem que estava seguindo três minutos atrás puxar uma arma do bolso do largo blusão azul-marinho e atirar certeiramente no homem, e depois na mulher que beijava.

O que ainda vivia ficou aonde estava, como que sentindo um imenso prazer em ver o sangue dos corpos imóveis do casal escorrendo pelo chão da casa grande e bonita. Apareciam pequenos leques de rugas em volta dos olhos, que deixavam o homem de vinte anos mais velho, mais cansado, mais paranoico. Como se nada tivesse acontecido, virou-se para a continuação da ladeira e foi descendo até que só se via um ponto azul-marinho ao longe.

Apavorada, com os membros enfraquecidos, e muito provavelmente traumatizada pelo resto da vida devido ao que acabara de assistir, a garota levantou-se de seu esconderijo corajosamente e subiu a ladeira enquanto apreciava um dos mais belos pores-do-sol que já vira. Era hora de voltar para casa.


E aí, gente? Bom, espero que vocês tenham gostado... E que tenham achado que eu realmente mereci um 9,0! Bom, comentem suas opiniões! Como você continuaria a história?
Beijooo

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Venha Ver o Pôr-do-sol

Oi gente!

Acho que todos vocês conhecem a escritora Lygia Fagundes Telles, não é? Bom, se não a conhecem, saibam que ela é uma das melhores autoras do país! Sua obra é hoje internacionalmente reconhecida, e em sua coleção de prêmios consta o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, doado pela França ao seu livro de contos Antes do Baile Verde. Ah! E ela nasceu um dia depois do meu aniversário! Hehehe...


Enfim, dentre suas obras está o conto "Venha Ver o Pôr-do-sol", que, sinceramente, é demais! A professora de português o leu em voz alta para a classe, e enquanto todos nós ouvíamos com a cabeça apoiada nos braços e de olhos fechados. De repente, na parte mais tensa da narrativa, foi engraçado observar que todos os alunos abriram os olhos e ficaram completamente espantados, assim como eu!

O conto se trata de dois ex-namorados, Raquel e Ricardo, que marcam um encontro num antigo cemitério abandonado, para ver o pôr-do-sol. Os dois poem o papo em dia enquanto caminham para o lugar que Ricardo alega ser o melhor lugar para ver o pôr-do-sol, e Raquel explica o quão rico e elegante seu namorado atual é. Bom, como assistirão ao pôr-do-sol juntos, se brigam feito cão e gato? Isso é o que você vai descobrir lendo o conto, que segue no link abaixo!


Bom, se vocês já leram, confiram amanhã a minha redação na qual fiz a continuação dessa interessante história!
Beijooo

Ser Jovem em Versos

Oi gente!

Bom, como prometido, aqui está o meu (longo) poema sobre a juventude. Foi uma redação pra escola, cuja proposta era transformar uma crônica sobre ser jovem em um poema. Tirei 9,0! Ótimo, não? Bom, grande parte da nota foi descontada na pontuação, porque eu não sabia como pontuar um poema... Bom, agora eu sei! Ah, ignorem o meu originalíssimo título, ok? Estava sem ideias...


Ser Jovem em Versos

É ser sempre encantador
A esperar pelo amor.
É não se fixar
Nos padrões a se formar;
É mudar e respeitar
O que não é pra se alterar.
É achar que é pra sempre,
Sem saber o que vem pela frente.
E quando se bate com a cara no muro,
É certo que há futuro.
É nada conhecer e de tudo poder,
É assobiar ao dia raiar,
É deixar tudo rolar,
É rir da risada,
Entristecer-se pela criança abandonada.
É nunca se enjoar
E repelir a hora do acordar,
É querer a Lua e o mundo,
Aproveitar cada segundo.
É curtir carro, ônibus, trem,
Num infinito vai-e-vem.
É bater papo com todos,
Ler sobre vikings, bárbaros e mouros,
É duvidar até do vento, 
E também do pensamento.
É não precisar de comprimido pra dormir
Para esperar o sono vir.
É adorar ler,
Querer silêncios que se podem ver, 
É acreditar em cada dia
Como se um anjo novo nascia.
É odiar cachimbo e jujuba chupar,
E de quem manipula não gostar.
É viver, ser feliz e sonhar,
Por que um dia vai passar.
É entender as pessoas,
Fazer coisas boas,
Amar olhos e pele,
Se encabular quando deve.
É ir pra ser apresentado,
Sempre com um medo danado.
É saltitar, e, se cair,
Quem vai segurar é o ar.
É se encorajar
Para importância não dar.
É acreditar em mitos e ritos,
Gritos e apitos.
É ver beleza
Onde todos vêem estranheza.
É ser o fundo musical
De uma peça teatral.
É se entediar,
Embora a vida amar.
É não querer lembrar do outro dia,
É salvar sem anestesia.
Tenha vinte anos ou não,
É sempre abrir a porta com emoção.


Bom, gente... É isso! Gostaram? Eu até coloquei uma charge da juventude dos dias de hoje... Confesso que eu sou sim um pouco (muito) viciada em computador, mas eu saio também, hahaha! Bom, se vocês são jovens, como eu, vão lá se divertir! Chama seus amigos pro parque, ou alguma coisa parecida!
Beijooo

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ser Jovem

Oi gente!

Bom, no 9º ano a gente recebe uma enxurrada de avisos como: "Aproveite a vida", "A vida é curta", "Você é jovem, aproveita!"... E quer saber? Eu concordo plenamente com esses avisos. Quando a gente é jovem, ainda não sabe o que está perdendo. Pra gente o normal é a nossa vida, o normal é fazer tudo o que fazemos diariamente. Entretanto, temos sempre que lembrar que em breve não vamos poder fazer certas coisas que podemos fazer hoje. Mas às vezes temos um pouco de receio...

Bom, receio do quê? Também não sei... Mas acho que temos na cabeça a ideia de que não podemos simplesmente abandonar nossas tarefas e obrigações diárias para fazer o que queremos. Simplesmente não dá. Bom, mas dá pra se contentar com outras coisas também! Então, cabe a nós vivermos o máximo possível, por exemplo: Vai tomar banho? Cante e dance no chuveiro. Vai se arrumar logo pela manhã? Assobie sua música predileta e pense que o dia de hoje será maravilhoso. Garanto que assim a vida fica muito mais divertida. Palavra de quem já tentou, hein?


Enfim, nessa postagem era pra eu mostrar um poema que eu fiz sobre a juventude, mas eu me empolguei na introdução... Então, amanhã eu posto, ok? Espero que vocês aguardem ansiosamente, hahaha!
Beijooo