quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Venha Ver o Pôr-do-sol (Continuação)

Oi gente!

Bem, como prometido, aqui vai a minha continuação do fabuloso texto "Venha Ver o Pôr-do-sol", de Lygia Fagundes Telles. Se você ainda não leu, você encontrará o link para o texto na publicação anterior!
Nessa redação, eu tirei 9,0. Merecido? Não sei...

Venha ver o pôr-do-sol

Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados, como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.

Dentre essas crianças que ao longe brincavam, havia uma com curiosidade excepcional. A garota de olhos e cabelos castanhos e aspecto saudável decidiu, então, seguir o estranho homem que entrara acompanhado no cemitério e saíra vagarosamente do mesmo. Mas sozinho. Ela gostava de seguir as pessoas. Achava empolgante e emocionante saber de suas vidas.

Era verão, e o sol ainda estava forte às cinco horas da tarde. A garota tinha ainda duas horas restantes, pois sua mãe somente se lembrava da existência da filha que brincava fora de casa o dia inteiro na hora de chamá-la para jantar. Dessa maneira, a menina pôs-se a andar silenciosamente atrás do misterioso homem.

Não se sabe se foi por desatenção ou por perturbação, mas ele não notou a presença da criança que o acompanhava por mais de quarenta e cinco minutos de percurso ladeira abaixo.A garota levou um susto quando o homem parou inesperadamente no meio da rua. Distraída, a olhar os bem-te-vis nos telhados das agora não tão raras casas, quase esbarrou bruscamente no homem. Ela se escondeu num arbusto próximo, de modo que podia assistir aos movimentos do homem que agora observava pela janela de uma casa um casal se beijando.

A menina achou a cena estranha, pois já havia visto inúmeras vezes o homem que estava na casa andando pela cidade de mãos dadas a uma outra mulher elegante, que tinha lindos, misteriosos e oblíquos olhos verdes. O sangue desapareceu da face da criança assim que viu o homem que estava seguindo três minutos atrás puxar uma arma do bolso do largo blusão azul-marinho e atirar certeiramente no homem, e depois na mulher que beijava.

O que ainda vivia ficou aonde estava, como que sentindo um imenso prazer em ver o sangue dos corpos imóveis do casal escorrendo pelo chão da casa grande e bonita. Apareciam pequenos leques de rugas em volta dos olhos, que deixavam o homem de vinte anos mais velho, mais cansado, mais paranoico. Como se nada tivesse acontecido, virou-se para a continuação da ladeira e foi descendo até que só se via um ponto azul-marinho ao longe.

Apavorada, com os membros enfraquecidos, e muito provavelmente traumatizada pelo resto da vida devido ao que acabara de assistir, a garota levantou-se de seu esconderijo corajosamente e subiu a ladeira enquanto apreciava um dos mais belos pores-do-sol que já vira. Era hora de voltar para casa.


E aí, gente? Bom, espero que vocês tenham gostado... E que tenham achado que eu realmente mereci um 9,0! Bom, comentem suas opiniões! Como você continuaria a história?
Beijooo

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