terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os Quatro Elementos

Oi, gente!

Eu adoro quando a proposta de redação é alguma coisa bem livre. Nossa última redação do ano tinha a proposta assim: "façam um texto poético." E pronto! Espero que vocês gostem do meu texto poético (bem chique, não é?) tanto quanto eu gostei do fato de o tema ser (quase) livre!

Os quatro elementos

Como era bom aquele tempo em que podia ser os quatro elementos do mundo. Às vezes, eu podia ser ar. Podia esvair-me de pensamentos ruins e migrar para a positividade e alegria tão rapidamente quanto o ar num corredor estreito. Podia ser invisível, mas muitas vezes impedi pessoas de caírem no sono devido ao meu assobio inconstante e irritante. Podia arrastar tudo e todos comigo, sem me importar com o lugar ou o momento em que os deixaria cair.

Às vezes, eu podia ser fogo. Podia arder quando me negavam algo que eu desejava há alguns meses ou até segundos, mas podia arder ainda mais quando, por ventura, caía e era banhado com mertiolate. Podia queimar quando, meticulosamente, preparava travessuras e artimanhas, e, quando me encontrava submerso na tristeza, podia transformar tudo em cinzas somente com meu toque.

Às vezes, eu podia ser água. Podia levar pra longe a tristeza e lavar o suor e o sangue daqueles que amava. Podia alegrar alguém, trazendo frescor num dia de verão. Podia ser versátil, e me encaixar em qualquer ambiente com destreza. E bastava o clima esquentar um pouco, que eu evaporava para fora de casa.

Às vezes, eu podia ser terra. Podia abrigar todos aqueles que necessitavam de mim, protegendo-os e confortando-os embaixo do meu casaco de grama. Podia oferecer às pessoas os frutos que preparava com o maior carinho do mundo, sem ter dó nem arrependimento ao saber que não seria possível obtê-los de volta. Podia fazer crescer dentro de mim as melhores lições e sentimentos da vida e deixá-los amadurecendo até o momento certo de aflorarem. Bastava que alguém me regasse.


O que vocês acharam? Esse foi meu melhor texto até agora, acham que vai dar pra me tornar escritora? Não sei. Talvez. Quem sabe?
Beijooo

domingo, 22 de dezembro de 2013

Perdão, Leonard Peacock

Oi, gente!

Nessas férias eu consegui, sim, fazer alguma coisa produtiva: terminar um livro! Hahaha! Eu tinha começado a ler antes das provas finais, e é claro que durante as provas eu conseguia ler no máximo uma linha e meia. Muita produtividade diária. Então, chegaram as férias e eu terminei esse tal livro de capa vermelha, chamado Perdão, Leonard Peacock.


É isso mesmo que você leu no topo da capa: o livro é do Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida (que eu confesso que nunca li... é bom?). As 224 páginas do livro retratam dois dias da vida do adolescente rejeitado Leonard Peacock. Mas aí você me pergunta: "Nossa, mas só dois dias?". Pois é, meu amigo, mas dois dias muito (MUITO) conturbados da vida desse pobre garoto. 

Leonard, após ter vivido uma vida sofrida por causa da ausência dos pais e de um trauma na infância, decide de uma vez por todas acabar com a própria vida. É, ele planeja se matar no dia de seu próprio aniversário, como se esse ato fosse um presente. Entretanto, antes do momento autodestruidor ele planeja se despedir das quatro pessoas mais importantes em sua vida e também matar o ex melhor amigo.

Achou muito dramático? Relaxa, porque eu também achei um pouco dramático e triste demais. Mas o legal nesse livro são as ideias de Leonard, que, narradas em primeira pessoa, impressionam e motivam. Se você não tiver um estômago forte, gostar de finais felizes declarados e geralmente condenar os suicidas, esse livro definitivamente não é pra você. Mas se você quiser tentar, acho que Leonard pode te ajudar a viver uma vida mais realista..

Espero que vocês gostem da minha dica!
Beijooo

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Para Paulinho

Oi gente!

Como prometido, aqui vai a minha redação. Ela é uma carta da fictícia tia Vera para seu fictício sobrinho de quinze anos, o Paulinho. Sabe como essas tias gostam de dar apelidos infantis para os sobrinhos, né? Bem, ela é baseada no filme "Intocáveis", aquele filme francês que ganhou muito sucesso, conquistando o mundo com o humor do ator principal (Omar Sy). Espero que vocês gostem!


Para Paulinho...

Oi, Paulinho, tudo bem com você?

Sei que você está bem melhor do que eu, pelo menos. Esses dias tenho sentido uma necessidade imensa de falar pelos cotovelos e pôr para fora tudo o que me enforca por dentro.Você já sabe o porquê, você é um menino muito inteligente para a idade que tem. Enfim, sinto em lhe informar, mas você é a próxima vítima do meu desabafo! Porém, saiba que você não foi escolhido por acaso nem por sorteio. Como eu já disse, você é um menino muito inteligente e vai entender tudo o que eu pretendo lhe dizer.

Na semana passada, eu vi um filme chamado Intocáveis, você já viu? Bom, não sei se foi devido ao falecimento do seu tio, ou à volta de todas as minhas memórias em conjunto, mas vi o filme praticamente todo embaçado, por causa da quantidade de lágrimas que saíam dos meus olhos sem cessar. Mas, pelo o que eu consegui ver nitidamente, confesso que pensei em você continuamente, durante a uma hora e cinquenta e sete minutos de filme.

Assim que o filme acabou, sentei-me na cama e comecei a pensar em tudo o que um jovem que acabara de completar quinze anos, como você, deve pensar da vida.

Eu tenho a consciência de que na sua idade já foram inúmeros os textos, redações e palestras sobre aproveitar avida que foram apresentados a você e a outros jovens de sua sala por professores de todas as matérias. Mas o que eu quero te dizer com esse e-mail é um pouco diferente desses ideais. E a diferença está tão perto de nós que é difícil enxergá-la: Eu te conheço. Eu te conheço melhor que todos os seus professores, todos os seus colegas, todo o mundo.

Agora, voltando ao filme... Eu sei que você já deve estar cansado desse texto e de meus frequentes e profundos ataques de choro, neurose e depressão, mas lhe peço (não por mim, mas por você) que não pare de ler. Pelo menos, não agora. No filme, podemos perceber que o que realmente vale na vida é simplesmente ser você mesmo. Paulinho, aconteça o que acontecer, não faça como eu, e tenha sua própria opinião. Se imponha. Faça seu trabalho valer a pena. Não mude por causa dos outros.

No filme, o personagem principal permanece do jeito que ele á até o final da narrativa. E quer saber uma coisa? No final, é ele quem sai ganhando. Mas ganhando experiência, felicidade, confiança... E dessa maneira ele aperfeiçoa todas as dimensões de sua personalidade única. E são exatamente essas qualidades que eu espero que você adquira na idade que tem, uma vez que você não tem absolutamente nada a perder.

Ah, Paulinho! Tem mais uma coisa que eu gostaria de dizer antes de bater na tecla do ponto final desse texto, que para você pode parecer interminável: Obrigada! Obrigada por ter me apoiado nos momentos mais difíceis da minha vida. Obrigada por sempre alegrar meu dia com o seu jeitinho especial, que eu espero que nunca mude. Obrigada por ter me dado a esperança de que amanhã sempre será um dia melhor. Obrigada por tentar fazer com que eu veja a vida sem uma camada embaçada de choro. Obrigada por você ser apenas você mesmo.


Um abraço apertado...

Da sua tia Vera

:') Ai, gente, me deu até vontade de ser tia e poder mandar uns e-mails desses pros meus sobrinhos! Na foto aqui em cima podemos ver a tia Vera com seu sobrinho Paulo quando ele era pequeno (aham).O qu vocês acharam? Comentem para que eu possa melhorar!
Beijooo

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Futuro

Oi gente!

Sabe, às vezes fico pensando como é que vai ser o futuro. Porque, sabe, é o futuro. Essa palavra dá a ideia de uma coisa distante, recheada de sonhos, vontades e desafios. Mas, se pararmos pra pensar, o futuro também é daqui a 1 segundo. Que seria AGORA. Mas... o agora é o presente, e não o futuro. E mesmo que o futuro seja daqui a 0,00000000001 segundo, a gente nunca vai conseguir vivê-lo, porque quando ele chegar não vai mais ser ele mesmo, vai ser o presente. Deu pra entender a minha cabecinha pensante?

Agora eu me dei conta de todos os meus planos para o futuro: faculdade, bom trabalho, começar uma família, morar em outro país... Todos eles estão no futuro, certo? Mas, considerando o que eu escrevi no último parágrafo, não vou conseguir viver meus planos, pois o futuro, na verdade, não existe até o momento em que você o vive e ele passa a ser chamado de presente.

Resumindo: não dá pra viver o futuro. Simples assim: não dá. Mas isso não um fundamento baseado num clichê; a gente já passou pelo sentido literal dele nos outros parágrafos, né. Então, não fica aí pensando no que vai ou no que não vai acontecer, em quem você vai ou não vai conhecer, porque  isso tudo não é importante. O importante é você viver aqui e agora. Fazer o que você quer fazer (mas com responsabilidade, viu?)! Tem planos a fazer? Ponha-os em prática agora! Porque, você sabe, o futuro não vai te cutucar e falar: "oi, cheguei!".

#filosofei, hahaha! Bem, espero que vocês tenham gostado do meu pensamento. Se vocês alguma vez se perguntaram o que se passa na minha cabeça, a resposta está aí, bem diante dos seus olhos! Na próxima postagem eu vou mostrar pra vocês outra redação baseada nessa coisa que você leram, ok?
Beijooo

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Peso Da Verdade

Gente, deixei vocês na mão (acho, né?).

Queria pedir desculpas por não ter postado nada e ter deixado o blog à deriva por mais de um mês. UM MÊS! O motivo pode ser explicado em apenas uma palavra: férias. Pois é, eu sei que eu comentei em uma das publicações passadas (que tenho que fazer uma forcinha pra lembrar por causa do meu sumiço) que eu iria postar todos os dias dos meus quase dois meses com tempo livre Mas o que realmente aconteceu é que esse tempo livre não existe! Eu estou mais é curtindo as minhas mais que merecidas férias ;)

Bem, vamos para o assunto literário de hoje, podemos? A última postagem foi sobre o livro O Caçador de Pipas. Se vocês leram, ótimo. Se não leram... Desculpe, mas essa postagem não é pra vocês! O que vocês leriam aqui estragaria a história, dando um belo de um spoiler pra todos que queriam ter lido, mas ainda não leram. Parem de ler agora e vão lá na livraria!

Enfim, o texto a seguir foi, realmente, uma prova de avaliação de leitura lá da escola. Eles queriam saber se a gente realmente leu o livro, ou se só ficou de bobeira esperando que um resumo na internet daria conta do recado. Mas dessa vez não foi bem uma prova, foi uma redação! Imaginem minha cara de felicidade quando descobri isso! A gente tinha que escrever o que aconteceria se Hassan tivesse negado o roubo do relógio. Como eu sou uma "garota dos finais felizes", já podem imaginar  que eu escrevi.


O peso da verdade

Agora Amir estava deitado em sua cama, olhando para o teto pintado de bege. Há apenas algumas horas, estava em sua festa de aniversário, que deixara evidências no quintal. Virou a cabeça para a esquerda e viu a montanha de presentes no canto do quarto; estremeceu quando notou uma extremidade do presente de Hassan e Ali embaixo de tudo, sofrendo o peso de todos os outros.

Estremeceu mais ainda quando lembrou-se de Assef. Sua lembrança causava arrepios em Amir, assim como a lembrança do livro que ganhara, a biografia de Adolf Hitler, que jazia em algum canto do quintal.

Amir avistou o relógio que baba lhe dera e um súbito pensamento tirou todo o sangue de sua face corada. Como ainda era cedo e Ali e Hassan já se ocupavam com as tarefas diárias, Amir se esgueirou pela casa, sorrateiramente, até o casebre de madeira no quintal, e enfiou o relógio e umas notas de dinheiro embaixo do colchão de Hassan. Amir sentiu um estranho sentimento de alívio: finalmente chegara o momento em que não precisaria mais se culpar, se judiar com o arrependimento daquilo que poderia ter sido evitado. Pelo menos era isso em que pensava.

As horas foram se passando e as olheiras se cavando no rosto de Amir até que baba chamou todos na casa para uma conversa em sua sala. Amir, Hassan, Ali e baba estavam sentados tensos nas cadeiras de madeira, e essa situação piorou após baba perguntar se Hassan havia realmente roubado o relógio de Amir. Amir encolheu-se. Realmente, desejava que Hassan negasse o roubo e que enfim pudesse receber o que merecia por ter se mantido imóvel n dia em que Hassan mais precisava de alguém. E a resposta foi negativa.

Baba, incrédulo, lançou um olhar mortiço a Amir e pediu que os outros dois se retirassem. O que se seguiu foi uma série de gritos, desaforo e choro seguido da frase que Amir mais temia ouvir: "Eu tenho vergonha de você".

Inevitavelmente, os dias que se seguiram passaram por Amir como a brisa que bate em uma folha. Ele sentia uma imensa vontade de contar tudo  o que vira ao mesmo tempo que preferia que as lágrimas falassem por ele. Depois daquele dia fatídico, não brincara com Hassan, por mais que ele batesse em sua porta todos os dias.

Um dia, Hassan entrou sem bater. Os dois ficaram se olhando por um tempo, até que Hassan começou a falar tudo. Ele contou que vira Amir no dia em que fora estuprado. Ele contou o quanto chorara quando encontrou o relógio e o dinheiro em seu colchão, desesperado por não saber  que dizer. Ele contou o quanto sofrera ao ouvir os gritos abafados de baba. E ele contou que o perdoava. E contou que, por Amir, o faria mil vezes.

Amir chorava, sorrindo. Mesmo sabendo que nunca mais poderia olhar nos olhos do pai, sabia que teria um amigo para a eternidade, e que nada mais poderia separá-los. Disse a Hassan que nunca perdoaria a si mesmo, mas que esse era o preço por aquilo que fizera. Os dois saíram para a colina cada um com dois livros na mão, enquanto baba os olhava pela janela de sua sala. Uma lágrima lhe percorria o rosto.


Gostaram? Eu, particular e modestamente, gostei. Se bem que enquanto eu passava da folha de redação para o computador fiz várias mudanças imaginárias! Bem, agora eu prometo que vou postar mais!
Beijooo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Caçador De Pipas

Oi gente!

Vocês sabiam que hoje vou ser premiada? Pois é, um conto que eu fiz para a escola no concurso de redação foi um dos três melhores do 9° ano! Enfim, vamos ao assunto de hoje: O livro O Caçador De Pipas!

Bem, o filme ficou muito famoso, e todo mundo diz que é triste demais. Já o livro tem a capacidade de deixar as coisas mais tristes ainda! Eu li esse livro em uma semana, e adorei! É muito tocante, e a gente se envolve tão fortemente com ele que quando acaba de ler fica assim, olhando pro nada, já com saudades da vida que levávamos na pele de Amir.

Amir e Hassan são dois amigos de aproximadamente treze anos, e moram tranquilamente em Cabul antes do regime Talibã. Os dois brincavam todos os dias, apesar das diferenças étnicas entre os dois: Amir era pashtun e Hassan era hazara, etnia considerada inferior pela maioria da população. Hassan mostrava-se sempre leal ao amigo, e Amir parecia só se importar com a esperada aceitação do pai, numa tentativa de que esse perdoasse a criança por supostamente ter causado a morte da mãe durante o parto.

Em Cabul havia o campeonato de pipas, que acontecia no inverno. Amir, incentivado pela imagem do pai orgulhoso de um filho campeão, participou da competição. Entretanto, ainda mais importante do que a própria competição, havia a caçada às pipas que caíam após serem cortadas no céu. Como Hassan era um ótimo caçador de pipas, se propôs a pegar a última pipa a cair para Amir. O que não se espera é o que acontece durante essa busca pela pipa, que muda a vida de Amir para sempre.


Bom, gente... É um livro maravilhoso, e eu recomendo a leitura, por mais que vocês precisem de lencinhos de papel! Espero que vocês leiam e se surpreendam e se emocionem com o final!
Beijooo

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Caindo Na Real

Oi gente!

Na última postagem falei um pouquinho sobre o filme "O Show De Truman - O Show Da Vida". Eu sei que já disse isso, mas vou repetir: eu amo esse filme! Você ainda não assistiu? Deixa de preguiça e vai fazer alguma coisa útil no seu domingo, vai. Caso você tenha uma conta no Netflix, o filme está disponível lá!

Bom, hoje eu vou contar pra vocês o que aconteceu depois do filme acabar, depois de toda a trama ter sido descoberta. Mas, por favor, não leia se você não viu o filme! Não quero estragar com a magia do mistério que é presente na narrativa! O texto, na verdade, foi uma redação que eu fiz pra escola, e eu tirei 9,0! Nada mal, não? Espero que gostem :)


Caindo Na Real

- E se eu nunca o vir novamente, boa tarde, boa noite e durma bem! disse eu àquela voz que vinha do céu. Mas esse céu não é verdadeiro, como acabei de descobrir. Nem o sol, nem as nuvens, nem o mar pelo o qual acabei de atravessar. Nem Meryl e nem mesmo Marlon, que me dissera que a última coisa que pensaria em fazer era mentir para mim. Que papo furado.

E então eu saí pela porta que me trancafiou durante toda a minha vida. Realmente, não sei o que dizer, nem pensar. Algumas horas atrás eu tinha certeza de que o mundo no qual vivia era real. Tinha certeza de que todas as pessoas com as quais convivia eram verdadeiras e honestas. Mas agora sei que não. Após andar alguns passos através da escuridão contida naquela porta, vi muitas pessoas na frente de computadores e sistemas que nunca tinha visto antes. Elas pareciam alternar em me encarar e encarar um homem alto, magro, de cabelos grisalhos e que usava uma boina. No mesmo instante que o vi, percebi que ele era o dono daquela voz, ele fora o responsável pelo eu cárcere de forma covarde. Incapaz de olhar mais naqueles olhos translúcidos e desconcertantes, eu corri para uma grande porta de saída com as seguintes palavras em seu batente: "O Show De Truman - No Ar".

E assim que senti a brisa e o sol do mundo que abrigava o meu antigo mundo na forma de cenário, fui tomado pelos pensamentos e pela escuridão, e caí de bruços na grama. Uma grama verdadeira. Do que aconteceu depois, não me lembro, mas sei que acordei num sofá, embalado num cobertor quente e apoiado num travesseiro tão macio que hesitei em manter os olhos abertos, pois, ao olhar para o meu lado direito, eu a vi, sentada na poltrona: a dona dos olhos mais lindos do mundo.

Sylvia me explicou tudo o que acontecera, desde a minha adoção legal até o ponto em que acordei do meu transe em sua casa, e eu só conseguia ouvi-la me segurando para não me afogar num mar de lágrimas. Depois que me recuperei, mais tarde naquele dia que causou tanto impacto na minha vida manipulada, tentei organizar meus pensamentos, e cheguei à conclusão de que a única pessoa que realmente me amou foi Sylvia. A única, na minha vida inteira, que não fingiu e que não mentiu.

Liguei a televisão para tentar me livrar desse sentimento que me apertava o coração, mas o único assunto de todos os programas, de todos os canais era o fim do reality show mais assistido do mundo: "O Show De Truman". Eu ia apertar o botão de desligar a televisão, mas no mesmo instante aquele homem que usava boina chamou minha atenção:

- Não, eu não me arrependo de ter feito o que eu fiz. Eu acho que mostrei às pessoas todas as emoções da vida da maneira mais honesta possível. Truman, desde o começo de sua vida, demonstrou inocência, raiva, amor... mas a única emoção que eu não esperava que ela demonstrasse era a coragem. Ele teve a coragem de, literalmente, bater de cara na verdade. Anteriormente, eu disse que se ele realmente quisesse descobrir a verdade, ele já teria descoberto. Agora isso realmente aconteceu, e eu espero que ele seja muito feliz.

Desliguei a televisão esperando que que a luz que se ia embora também levasse minhas dúvidas e perplexidades. Me aconcheguei nos braços de Sylvia e dormi profundamente, na esperança impossível de que, no dia seguinte, eu acordasse e percebesse que tudo não passara de um sonho.


É, gente... é bem triste pensar na história de Truman. Imagina só, você viver sua vida inteira achando que é daquele jeito que o mundo funciona, até você descobrir que tudo foi um engano. Coitado dele :( Bom, tomara que ele seja muito feliz com a Sylvia!

E caso eu não os veja, bom dia, boa tarde e boa noite!
Beijooo

sábado, 2 de novembro de 2013

O Show De Truman - O Show Da Vida

Oi gente!

Bom, hoje vou unir duas das minhas paixões: escrever e ver filmes! Ahh, o que poderia ser melhor?
Enfim, vocês já assistiram ao filme "O Show de Truman - O Show da Vida"? Se não, saibam que ele entrou em segundo lugar na lista dos meus filmes favoritos, após somente de "Forrest Gump". Recomendo, e muito!


O filme é basicamente sobre Truman Burbank, um homem de uns 35 anos que pensa estar vivendo normalmente, no seu dia-a-dia normal, com sua família normal e seus vizinhos normais. Entretanto, percebemos que a realidade desse pobre homem é bem diferente do que ele pensa. A vida dele não passa de um mero programa de TV!

Numa cidade inteira dentro de um estúdio, Truman foi manipulado desde o nascimento para que nunca tivesse a vontade de se aventurar mundo afora. Esse mundo afora, obviamente não existe dentro do estúdio e muito menos na cabeça de Truman, que acredita que o estúdio em que vive seja, realmente, o mundo. Na verdade, eu nem consigo me expressar muito bem em relação a esse filme. Muito complexo pra minha cabecinha.

Enfim, esse filme me fez pensar em várias outras coisas que eu discuto frequentemente com a minha melhor amiga. Eu... realmente existo? Quer dizer, eu sou somente a protagonista de uma história, enquanto todos que conheço são meros personagens de um livro que alguém está lendo? Eu tenho os meus sentimentos, a minha vida, e, obviamente, não posso me desprender dela enquanto estou viva. Mas... as outras pessoas também são assim? São somente imagens? Não sei. E prefiro nem saber!

Bom, comenta aí se você é uma pessoa que nem eu, que não sabe o que é ou por que existe. Peço que assistam o filme, dá pra ter umas boas risadas e reflexões também!
Beijooo




sexta-feira, 1 de novembro de 2013

NaNOWriMo

Oi, gente!

Tenho uma boa notícia: Acabaram as minhas provas! Ah, tenho uma má notícia: Elas começam de novo dia 13 e terminam só dia 28... Enfim, tenho umas duas semanas aí para voltar a postar, e eu confesso que estou com a mesma ansiedade que tive no dia que eu inaugurei o blog ;) Depois de o ano letivo acabar, vou poder postar todos os dias das minha férias, uhuul!

Bom, vamos ao assunto de hoje: O NaNoWriMo. Essa abreviação esquisita e que só complica mais é referente ao evento National Novel Writing Month. Se vocês prestaram atenção no nome, ou se estão por dentro do mundo dos devoradores de livros, já deve ter ouvido falar.

O NaNoWriMo é um projeto criativo que teve origem na internet mesmo. Muitas pessoas participam desse projeto, que serve como um incentivo enorme para a escrita. O interessante é que esse projeto consiste em escrever um romance inteiro em apenas um mês! O mês escolhido foi novembro (que, por acaso, começou hoje), e quase 235.000 pessoas estão inscritas. É muita gente MESMO. Todos estão completamente frenéticos e doidos pra começar o romance, e a data de início foi hoje. Isso quer dizer que enquanto você está aqui lendo meu blog, 235.000 pessoas no mundo inteiro estão grudadas no computador escrevendo, e escrevendo sem parar para que o prazo seja respeitado.

Outra boa notícia é que ainda dá tempo de participar do NaNoWriMo! É entrar no site e se inscrever. Na verdade, ninguém vai ficar cobrando o seu texto quando acabar, mas vai servir como um incentivo para todos aqueles que têm uma ideia muito legal na cabeça e não tem a oportunidade de colocá-la no papel... ou na internet!

Bom, quem sabe ano que vem eu participe... Aqui embaixo segue o site oficial do evento.
http://nanowrimo.org/

O problema é que muitas pessoas vêm causando alguma polêmica com o NaNoWriMo, alegando que terminando as 50.000 palavras obrigatórias, conclui-se que todo o tempo gasto escrevendo foi perdido, já que escreveu-se por impulso,e não meticulosamente. Entretanto, eu discordo desse ponto de vista, pois uma vez participando desse projeto, ganha-se uma experiência enorme com palavras e disciplina, ensinamentos fundamentais para a provável escrita futura de um outro livro.

Bom, espero que tenham gostado da ideia!
Beijooo


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Desculpas!

Oi, gente!
Tudo bem?

Bem, eu queria me desculpar por não ter postado quase nada esses dias... A vida na escola está muito difícil, e eu mal tenho tempo para respirar um pouco melhor.

Mas não desanimem, porque assim que eu tiver um tempinho postarei mais!
Beijooo

domingo, 13 de outubro de 2013

Os Sapatos

Oi gente!

Bom, como prometido vou postar o conto que fiz com a minha amiga Giuliana Maruca, o qual foi premiado no Contando 2013. Se você leu o texto "Mariana", do Machado de Assis, perceberá que o comecinho é o mesmo. Tomara que vocês gostem!

Os Sapatos

Voltei de Europa depois de uma ausência de quinze anos. Era quanto bastava para vir achar muita coisa mudada. Alguns amigos tinham morrido, outros estavam casados, outros viúvos. Quatro ou cinco tinham-se feito homens públicos, e um deles acabava de ser ministro do Estado. Sobre todos eles pesavam quinze anos de desilusões e cansaço. Eu, entretanto, vinha tão moço como fora, não no rosto e nos cabelos, que começavam a esbranquecer, mas na alma e no coração que estavam em flor. Foi essa a vantagem que tirei das minhas constantes viagens. Não há decepções possíveis para um viajante, que apenas vê de passagem o lado belo da natureza humana e não ganha tempo de conhecer-lhe o lado feio. Mas deixemos essas filosofias inúteis.

Não são filosofias inúteis que nos levam a lugar algum. Muito pelo contrário, são as ações que realizamos que nos levam a conhecer as mais maravilhosas coisas do mundo. E a maneira pela qual aprendi essa lição foi a mais dolorosa e inesquecível de todas as maneiras para que o nosso mortal aprendizado floresça. Deixe-me contá-la, para que o prezado leitor nunca venha a repetir o meu desventurado feito.

Era outono, manhã fria e chuvosa na qual o orvalho mais parecia chorar, se acabando, do que simplesmente anunciar a chegada do tal outono. Não era de espantar a tamanha ferocidade com a qual o vento insistia em ventar, num ímpeto de arrancar as folhas das árvores, a fim de lançá-las em algum lugar longínquo qualquer. E foi naquela manhã o infeliz ocorrido.

Desde o dia em que comecei a trabalhar naquela empresa, lembro-me de ter que passar pela mesma calçada esburacada, que, ao se encontrar com outra calçada, formava uma esquina daquelas de filme, onde ocorrem os assaltos ou os espiões se escondem para investigar os criminosos. Diante dessa tal esquina, estendia-se uma simples e corriqueira faixa de pedestres, que, para mim, significava algo além de listras brancas cortando o calçamento. Foi ali que a vi.

Um rosto anguloso, emoldurado por uma cascata de cabelos castanhos ondulados, pertencente a um corpo esguio e perfeitamente estruturado desfilava tranquilamente pela faixa de pedestres, de um jeito tão feliz e despreocupado que até se equiparava ao andar de uma criança. E, Deus, como era bela! Minha atenção estava completamente voltada para a tal donzela, tanto que não acatei o que a senhora que caminhava ao meu lado dissera. Pedi que repetisse, e ela reafirmou, gentilmente:

- Cuidado, meu senhor. Seus sapatos estão desamarrados!

Agradeci sucintamente a cortesia, ansioso para pousar meus olhos nos da moça, que, para meu desalento, já não se encontrava mais na faixa de pedestres. Só então me lembrei de amarrar os sapatos. Mas... amarrá-los para quê?

E esse mesmo episódio repetiu-se todos os dias dali em diante. Meiga, avoada e alheia ao mundo, o perfume que ela exalava era como o frescor das flores que, com toda sua fragilidade, acaricia o corpo dos pássaros que por elas sobejam. Donzela de um ar tão jovial, que me fazia estremecer pés e mãos, fazendo formar-se em mim incontrolável timidez. Falar com ela? Era o que meu coração, já inteiramente apaixonado, me mandava fazer, porém estava impedido pelo temor intermitente que me tomava.

Certa manhã, como aquela da ventania que caracterizava o meu singelo outono, diante das listras brancas que enfeitavam o chão eu parei, me abaixando para amarrar os cadarços dos benditos sapatos dos quais todos tanto falavam, quando vi a garota em seu caminhar suave e abstraído. Amarrei meus sapatos com um nó de deixar marinheiro de queixo caído, e, quando voltei à posição ereta, vi a garota estirada no meio da faixa, com olhar infinito, distante. E ao seu lado um homem corpulento desarmonizava o ambiente, saindo de seu carro levemente amassado e bradando, exclamando por ajuda, enquanto eu olhava alucinada e desesperadamente nos olhos da moça, que nunca mais pestanejariam nem reluziriam em minha direção. Aquela cena caiu sobre mim como uma estaca de madeira maciça cairia sobre a cabeça de qualquer mortal, quebrando-me os pensamentos, a razão, a vontade e a capacidade de viver. Por quê? Por quê? Malditos sapatos! malditos os dias que passam sem pudor! Maldita a vergonha que me tomava! Maldita a razão que me fixava no chão, quando o certo era voar! Maldito o ser humano, que se deixa enclausurar pelos próprios temores, deixando passar tão perto de si, ao mesmo tempo que de forma tão inalcançável, o melhor da vida. Maldita a filosofia excessiva em lugar da conduta! Maldito seja eu, que por me deixar vencer pelo temor e palavras alheias, perdi a maior oportunidade da minha vida: deixar de cruzar com a garota na faixa, passando a caminhar ao seu lado, com seus dedos entrelaçados nos meus de um lado, e do outro meus dedos entrelaçados a dedinhos frágeis e recém-formados de uma criança. Foi então que eu disse adeus àquela esquina, àquelas listras brancas e à minha alma gêmea. Fui-me embora.

Bom, gente... É isso! Acho que foi a história mais tensa que eu já escrevi na minha vida, mas valeu a pena. Fico agora imaginando o que aconteceu com o moço depois...
Beijooo

sábado, 12 de outubro de 2013

Contando com Machado de Assis

Oi gente!

Sei que faz um tempo que eu dou sinais de vida por aqui, mas saibam que está tudo bem! Tive que evitar computadores durante essa semana, tive muita lição de casa e provas... Mas está tudo bem, já passei de ano em matemática mesmo...

Enfim, hoje eu vou mostrar pra vocês um conto (mais um conto!) que eu fiz com a minha melhor amiga Giuliana Garcia Maruca. Esse conto teve de ser escrito para o projeto "Contando com Machado de Assis", no Colégio Dante Alighieri, o qual premiaria os dez melhores textos. Na verdade, os contos do nono ano estavam tão bons que foram escolhidos quinze textos. A proposta era continuar um dos trechos dos mais famosos contos do Machado em dupla: "Um apólogo", "História de uma fita azul", "Mariana" e "Missa do galo".

Você pode lê-los nos links abaixo:
Um apólogo: http://www.releituras.com/machadodeassis_apologo.asp
História de uma fita azul: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/centenario-de-machado-de-assis/historia-de-uma-fita-azul.php
Mariana: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/centenario-de-machado-de-assis/mariana.php
Missa do galo: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/missadogalo.htm


Bom, a gente escolheu "Mariana" por ter sido o único que acendeu uma luzinha na nossa cabeça. O prazo do envio do conto, que era para ser feito na internet, estava se aproximando, e a gente nem tinha uma ideia ainda. Até que eu tive que ir no médico fazer alguns exames de rotina, e enquanto esperava coloquei meus fones de ouvido e fiquei pensando no que poderíamos escrever. E então eu tive a ideia! Mas, naquele tempo, nem passava pela minha cabeça a possibilidade daquela ser uma das quinze ideias vencedoras. Mas foi.

A premiação aconteceu na semana retrasada, primeiro de outubro. Foi espetacular. Um ex-aluno do Dante, que se tornou um ótimo ator, fez o papel de Machado de Assis, em uma bela homenagem. Ganhamos um exemplar de um livro que continha todos os textos ganhadores, inclusive o nosso.

Além disso, na aula de artes, tivemos que fazer uma ilustração para um dos mesmos quatro textos do Machado. Coincidentemente, fui sorteada para fazer a ilustração do mesmo conto que continuei, "Mariana". E, adivinha? Minha ilustração também foi premiada!

Bom, gente... Eu me empolguei um pouquinho aqui, e a publicação vai ficar muito longa se eu escrever meu texto aqui também. Fica pra amanhã, tá? Prometido ;)
Beijooo

domingo, 6 de outubro de 2013

Nas asas da sorte

Oi gente!

Como prometido, vou mostrar pra vocês meu texto baseado no conto "Natal Na Barca", também da maravilhosa Lygia Fagundes Telles, cujo sucesso já mencionei numa publicação anterior. O terceiro, para ser mais exata! Eu gostei, mas tirei 7,5... Ah, mas quem sabe, né?

Nas asas da sorte

E ali eu me encontrava, na barca calma e sóbria. Quem dera eu me sentisse como a barca naquele momento de aflição. Eu observava a mulher, a poucos metros de distância, e por mais que eu tentasse desviar meu olhar do dela, a única coisa que ocupava a minha mente era uma pergunta: e se ela descobrir?

Foi então que, focando na paisagem atrás da moça, que ainda permanecia no meu campo de visão, enxerguei o cais. Meu coração, nessa altura do campeonato, estava a mil batimentos por minuto. Minha mente, transtornada pela minha indagação constante. Deus, ela não pode descobrir.

E o meu medo agora se alastrava por todo o meu corpo: minhas mãos suavam, minhas pernas chacoalhavam, minha mandíbula se tensionava e minha face corava. E tive pavor de que os passageiros da barca (que, para mim, estavam reduzidos a um simples "ela") começassem a perceber, pois sempre tenho a sensação de que todos os seres desse miserável planeta têm acesso aos meus estranhos pensamentos. E como que para agravar a tontura que me tomava, a barca agora enfrentava ondas, mais bruscas e desconcertantes.

Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma longa curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:

- Chegamos!... Ei, chegamos!

E então, para o meu desalento, pensei que agora estava voando nas asas da sorte, que, como era de se esperar, me deixaria cair num profundo e infinito buraco. Apressei-me para ser o primeiro passageiro a deixar a barca, e quando apoiei o corpo em terra firme, ouvi. Ouvi aquele grito, agudo, feminino, de terror e indignação, que certamente poderia ser ouvido a quilômetros de distância, que ecoaria em minha mente para sempre: ela descobrira.


Bom, gente... Espero que vocês tenham gostado!
Beijooo

sábado, 5 de outubro de 2013

Natal Na Barca

Oi gente!

Hoje eu vou mostrar pra vocês um dos meus contos favoritos: "Natal Na Barca", de Lygia fagundes Telles. É um texto cujo tema é a fé, e tem um final realmente surpreendente! Confiram, pois é muito bom!


Natal Na Barca

Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.

O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.

Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.

Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.

A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.

— Tão gelada — estranhei, enxugando a mão.

— Mas de manhã é quente.

Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.

— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.

— Quente?

— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas?

Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta:

— Mas a senhora mora aqui perto?

— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje...

A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.

— Seu filho?

— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre, só febre... Mas Deus não vai me abandonar.

— É o caçula?

Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce.

— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito... Tinha pouco mais de quatro anos.

Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.

— E esse? Que idade tem?

— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado... A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.

Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-los até aquele instante. E agora não tinha forças para rompê-los.

— Seu marido está à sua espera?

— Meu marido me abandonou.

Sentei-me e tive vontade de rir. Incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta porque agora não podia mais parar, ah! aquele sistema dos vasos comunicantes.

— Há muito tempo? Que seu marido...

— Faz uns seis meses. Vivíamos tão bem, mas tão bem. Foi quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, me falou nela fazendo uma brincadeira, a Bila enfeiou, sabe que de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito? Não tocou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café, leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda fez assim com a mão, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me deu um adeus através da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio... Mas eu estava com a mão molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.

Olhei as nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma certa irritação me fez andar.

— A senhora é conformada.

— Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou.

— Deus — repeti vagamente.

— A senhora não acredita em Deus?

— Acredito — murmurei. E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela segurança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas...

Ela mudou a posição da criança, passando-a do ombro direito para o esquerdo. E começou com voz quente de paixão:

— Foi logo depois da morte do meu menino. Acordei uma noite tão desesperada que saí pela rua afora, enfiei um casaco e saí descalça e chorando feito louca, chamando por ele! Sentei num banco do jardim onde toda tarde ele ia brincar. E fiquei pedindo, pedindo com tamanha força, que ele, que gostava tanto de mágica, fizesse essa mágica de me aparecer só mais uma vez, não precisava ficar, se mostrasse só um instante, ao menos mais uma vez, só mais uma! Quando fiquei sem lágrimas, encostei a cabeça no banco e não sei como dormi. Então sonhei e no sonho Deus me apareceu, quer dizer, senti que ele pegava na minha mão com sua mão de luz. E vi o meu menino brincando com o Menino Jesus no jardim do Paraíso. Assim que ele me viu, parou de brincar e veio rindo ao meu encontro e me beijou tanto, tanto... Era tamanha sua alegria que acordei rindo também, com o sol batendo em mim.

Fiquei sem saber o que dizer. Esbocei um gesto e em seguida, apenas para fazer alguma coisa, levantei a ponta do xale que cobria a cabeça da criança. Deixei cair o xale novamente e voltei-me para o rio. O menino estava morto. Entrelacei as mãos para dominar o tremor que me sacudiu. Estava morto. A mãe continuava a niná-lo, apertando-o contra o peito. Mas ele estava morto.

Debrucei-me na grade da barca e respirei penosamente: era como se estivesse mergulhada até o pescoço naquela água. Senti que a mulher se agitou atrás de mim

— Estamos chegando — anunciou.

Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma larga curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia:

- Chegamos!... Ei! chegamos!

Aproximei-me evitando encará-la.

— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente, estendendo a mão.

Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu pudesse impedi-lo, afastou o xale que cobria a cabeça do filho.

— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.

— Acordou?!

Ela sorriu:

— Veja...

Inclinei-me. A criança abrira os olhos — aqueles olhos que eu vira cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na face corada. Fiquei olhando sem conseguir falar.

— Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.

Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na noite.

Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.


Bom, gente, espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei!
Beijooo

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A História Sem Fim

Oi gente!

Comecei a ler nessa semana o livro "A História Sem Fim", de Michael Ende. Adoro como o sobrenome do autor combina com o título de sua obra. Irônico, não?

Bem, lembro-me que fui ao Shopping Bourbon, e como sempre, dei uma passadinha na Livraria Cultura que tem lá. Eu não resisto, e só saio de lá sem uma sacolinha quando esqueço a carteira. Enfim, eu só sei que bati o olho nesse livro e já fui colocando os outros que eu tinha separado de volta na prateleira, pois eu sabia que aquele seria o único que eu levaria (só pra ele se sentir especial, como eu achava que ele seria).

Nossa, ele é simplesmente maravilhoso: capa dura, lombada azul (minha cor favorita), título escrito em letras clássicas e uma imagem rebuscada linda, simples, sem verniz, lisinho... Ah...Ele é tão lindo que eu até levei pra escola e deixei ele em cima da mesa pra todo mundo ver. A única coisa que estraga é o símbolo da editora na capa. Poderia estar atrás, né?


Eu sei que tem um filme que fez bastante sucesso há um tempo, mas eu nunca vi. E ainda bem que eu nunca vi, porque eu odeio quando eu vejo o filme do livro antes de ler o livro. Vocês já assistiram? É bom?

O legal dos livros é que você nunca sabe o que vai acontecer. No entanto, a solução está bem ali, diante de seus olhos. Cabe a você a decisão de pular algumas páginas ou absorver o máximo de detalhes e situações incríveis que podem acontecer até o desfecho. Entendem como é diferente dos filmes? Nesses a gente não sente a tentação que sentimos quando temos um livro em nossas mãos.

Bom, essa postagem foi mais para contar as novidades e desabafar do que para passar algum conhecimento pra vocês, mas já que antes de criar o blog eu prometi pra mim mesma que colocaria tudo sobre o ato de ler... Tá valendo!

Bom, espero que vocês tenham gostado!
Beijooo




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Venha Ver o Pôr-do-sol (Continuação)

Oi gente!

Bem, como prometido, aqui vai a minha continuação do fabuloso texto "Venha Ver o Pôr-do-sol", de Lygia Fagundes Telles. Se você ainda não leu, você encontrará o link para o texto na publicação anterior!
Nessa redação, eu tirei 9,0. Merecido? Não sei...

Venha ver o pôr-do-sol

Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado. Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados, como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira. Crianças ao longe brincavam de roda.

Dentre essas crianças que ao longe brincavam, havia uma com curiosidade excepcional. A garota de olhos e cabelos castanhos e aspecto saudável decidiu, então, seguir o estranho homem que entrara acompanhado no cemitério e saíra vagarosamente do mesmo. Mas sozinho. Ela gostava de seguir as pessoas. Achava empolgante e emocionante saber de suas vidas.

Era verão, e o sol ainda estava forte às cinco horas da tarde. A garota tinha ainda duas horas restantes, pois sua mãe somente se lembrava da existência da filha que brincava fora de casa o dia inteiro na hora de chamá-la para jantar. Dessa maneira, a menina pôs-se a andar silenciosamente atrás do misterioso homem.

Não se sabe se foi por desatenção ou por perturbação, mas ele não notou a presença da criança que o acompanhava por mais de quarenta e cinco minutos de percurso ladeira abaixo.A garota levou um susto quando o homem parou inesperadamente no meio da rua. Distraída, a olhar os bem-te-vis nos telhados das agora não tão raras casas, quase esbarrou bruscamente no homem. Ela se escondeu num arbusto próximo, de modo que podia assistir aos movimentos do homem que agora observava pela janela de uma casa um casal se beijando.

A menina achou a cena estranha, pois já havia visto inúmeras vezes o homem que estava na casa andando pela cidade de mãos dadas a uma outra mulher elegante, que tinha lindos, misteriosos e oblíquos olhos verdes. O sangue desapareceu da face da criança assim que viu o homem que estava seguindo três minutos atrás puxar uma arma do bolso do largo blusão azul-marinho e atirar certeiramente no homem, e depois na mulher que beijava.

O que ainda vivia ficou aonde estava, como que sentindo um imenso prazer em ver o sangue dos corpos imóveis do casal escorrendo pelo chão da casa grande e bonita. Apareciam pequenos leques de rugas em volta dos olhos, que deixavam o homem de vinte anos mais velho, mais cansado, mais paranoico. Como se nada tivesse acontecido, virou-se para a continuação da ladeira e foi descendo até que só se via um ponto azul-marinho ao longe.

Apavorada, com os membros enfraquecidos, e muito provavelmente traumatizada pelo resto da vida devido ao que acabara de assistir, a garota levantou-se de seu esconderijo corajosamente e subiu a ladeira enquanto apreciava um dos mais belos pores-do-sol que já vira. Era hora de voltar para casa.


E aí, gente? Bom, espero que vocês tenham gostado... E que tenham achado que eu realmente mereci um 9,0! Bom, comentem suas opiniões! Como você continuaria a história?
Beijooo

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Venha Ver o Pôr-do-sol

Oi gente!

Acho que todos vocês conhecem a escritora Lygia Fagundes Telles, não é? Bom, se não a conhecem, saibam que ela é uma das melhores autoras do país! Sua obra é hoje internacionalmente reconhecida, e em sua coleção de prêmios consta o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, doado pela França ao seu livro de contos Antes do Baile Verde. Ah! E ela nasceu um dia depois do meu aniversário! Hehehe...


Enfim, dentre suas obras está o conto "Venha Ver o Pôr-do-sol", que, sinceramente, é demais! A professora de português o leu em voz alta para a classe, e enquanto todos nós ouvíamos com a cabeça apoiada nos braços e de olhos fechados. De repente, na parte mais tensa da narrativa, foi engraçado observar que todos os alunos abriram os olhos e ficaram completamente espantados, assim como eu!

O conto se trata de dois ex-namorados, Raquel e Ricardo, que marcam um encontro num antigo cemitério abandonado, para ver o pôr-do-sol. Os dois poem o papo em dia enquanto caminham para o lugar que Ricardo alega ser o melhor lugar para ver o pôr-do-sol, e Raquel explica o quão rico e elegante seu namorado atual é. Bom, como assistirão ao pôr-do-sol juntos, se brigam feito cão e gato? Isso é o que você vai descobrir lendo o conto, que segue no link abaixo!


Bom, se vocês já leram, confiram amanhã a minha redação na qual fiz a continuação dessa interessante história!
Beijooo

Ser Jovem em Versos

Oi gente!

Bom, como prometido, aqui está o meu (longo) poema sobre a juventude. Foi uma redação pra escola, cuja proposta era transformar uma crônica sobre ser jovem em um poema. Tirei 9,0! Ótimo, não? Bom, grande parte da nota foi descontada na pontuação, porque eu não sabia como pontuar um poema... Bom, agora eu sei! Ah, ignorem o meu originalíssimo título, ok? Estava sem ideias...


Ser Jovem em Versos

É ser sempre encantador
A esperar pelo amor.
É não se fixar
Nos padrões a se formar;
É mudar e respeitar
O que não é pra se alterar.
É achar que é pra sempre,
Sem saber o que vem pela frente.
E quando se bate com a cara no muro,
É certo que há futuro.
É nada conhecer e de tudo poder,
É assobiar ao dia raiar,
É deixar tudo rolar,
É rir da risada,
Entristecer-se pela criança abandonada.
É nunca se enjoar
E repelir a hora do acordar,
É querer a Lua e o mundo,
Aproveitar cada segundo.
É curtir carro, ônibus, trem,
Num infinito vai-e-vem.
É bater papo com todos,
Ler sobre vikings, bárbaros e mouros,
É duvidar até do vento, 
E também do pensamento.
É não precisar de comprimido pra dormir
Para esperar o sono vir.
É adorar ler,
Querer silêncios que se podem ver, 
É acreditar em cada dia
Como se um anjo novo nascia.
É odiar cachimbo e jujuba chupar,
E de quem manipula não gostar.
É viver, ser feliz e sonhar,
Por que um dia vai passar.
É entender as pessoas,
Fazer coisas boas,
Amar olhos e pele,
Se encabular quando deve.
É ir pra ser apresentado,
Sempre com um medo danado.
É saltitar, e, se cair,
Quem vai segurar é o ar.
É se encorajar
Para importância não dar.
É acreditar em mitos e ritos,
Gritos e apitos.
É ver beleza
Onde todos vêem estranheza.
É ser o fundo musical
De uma peça teatral.
É se entediar,
Embora a vida amar.
É não querer lembrar do outro dia,
É salvar sem anestesia.
Tenha vinte anos ou não,
É sempre abrir a porta com emoção.


Bom, gente... É isso! Gostaram? Eu até coloquei uma charge da juventude dos dias de hoje... Confesso que eu sou sim um pouco (muito) viciada em computador, mas eu saio também, hahaha! Bom, se vocês são jovens, como eu, vão lá se divertir! Chama seus amigos pro parque, ou alguma coisa parecida!
Beijooo

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ser Jovem

Oi gente!

Bom, no 9º ano a gente recebe uma enxurrada de avisos como: "Aproveite a vida", "A vida é curta", "Você é jovem, aproveita!"... E quer saber? Eu concordo plenamente com esses avisos. Quando a gente é jovem, ainda não sabe o que está perdendo. Pra gente o normal é a nossa vida, o normal é fazer tudo o que fazemos diariamente. Entretanto, temos sempre que lembrar que em breve não vamos poder fazer certas coisas que podemos fazer hoje. Mas às vezes temos um pouco de receio...

Bom, receio do quê? Também não sei... Mas acho que temos na cabeça a ideia de que não podemos simplesmente abandonar nossas tarefas e obrigações diárias para fazer o que queremos. Simplesmente não dá. Bom, mas dá pra se contentar com outras coisas também! Então, cabe a nós vivermos o máximo possível, por exemplo: Vai tomar banho? Cante e dance no chuveiro. Vai se arrumar logo pela manhã? Assobie sua música predileta e pense que o dia de hoje será maravilhoso. Garanto que assim a vida fica muito mais divertida. Palavra de quem já tentou, hein?


Enfim, nessa postagem era pra eu mostrar um poema que eu fiz sobre a juventude, mas eu me empolguei na introdução... Então, amanhã eu posto, ok? Espero que vocês aguardem ansiosamente, hahaha!
Beijooo

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Culpa É Das Estrelas

Oi gente!

Ler o livro "A Culpa É Das Estrelas", de John Green é absolutamente mágico. Novamente, foi uma indicação das minhas amigas da escola. Meu Deus, elas são obcecadas por leitura! Bom, mas eu não posso falar nada, eu também sou!

Enfim, a começar pela capa, o livro é maravilhoso. Tem um azul vibrante, que combinado com o preto e o branco fica a coisa mais fofa do mundo. Conta a história de Hazel Grace, uma adolescente que tem câncer. Ela faz várias reflexões sobre a doença que tem, e chega a conclusão de que não dá pra ficar pior. Bem, ela pensa isso até conhecer Augustus Waters no grupo de apoio, que tem um câncer num estado um pouco melhor do que o de Hazel.


Os dois se apaixonam, e a história se desenrola numa teia de conflitos que se baseiam na tragédia formada pela doença, pela vida, e pela paixão. O que acontece no final? Bom, a resposta não cabe a mim! Vai lá ler pra descobrir, ué!

Ah! Mas se você não gostar de ler, pode esperar até o filme! Sim, vai ter um filme! O roteiro é de Scott Neustadter e Michael H. Weber, os mesmos que assinam (500) Dias Com Ela.

Abaixo, segue um dos meus trechos favoritos do livro. Na verdade, se fosse escrever todos os meus trechos favoritos do livro acabaria o reproduzindo aqui no blog. Então é só um pouquinho mesmo, pra não dar uma de spoiler...



É isso, gente! Tomara que eu tenha deixado vocês com vontade de ler!
Beijooo




domingo, 29 de setembro de 2013

Pode confiar em mim

Oi gente!

Bom, como prometido, aqui está o meu texto baseado no filme "A Corrente do Bem". Eu tirei 9,0 nessa redação e confesso que eu fiquei bem satisfeita com a nota, apesar de ter achado um pouquinho... humm...sei lá!
Atenção: Não leiam se ainda não tiverem assistido o filme, senão vou acabar com a graça de tudo!
Bom, espero que vocês gostem!

Pode confiar em mim

Depois de longos meses de luto e tristeza, Arlene finalmente conseguiu esquecer o ocorrido e seguir em frente. Mas, como é possível se esquecer de um fato desses? De todos os males e perdas que existem no mundo, nada se compara à perda de um filho, de maneira tão brutal. E isso se torna ainda pior quando esse filho é uma pessoa maravilhosa, como Trevor, que veio dos céus para fazer o bem.

Arlene casou-se com Eugene, e o amor lhes deu um filho, Jerry, em homenagem à primeira pessoa que Trevor ajudou. Agora Jerry tinha treze anos, mesma idade de Trevor quando iniciou o projeto "Corrente do Bem", e já sabia do filho que sua mãe tivera. Entretanto, não sabia de seus feitos.

Um dia, Jerry estava no seu quarto procurando seu livro de geografia, que havia sumido. Bateu os olhos na prateleira mais alta, e viu a lombada laranja do livro:

- Como você foi parar aí?

Para pegá-lo, subiu na cadeira, e ao arrastá-lo para fora da prateleira, acabou arrastando uma caixa de papelão onde estava escrito "recordações" em sua parte frontal. A caixa caiu e despejou seu conteúdo no chão. Uma fita de vídeo cuidadosamente embalada num saco plástico com um pedaço de fita crepe com a inscrição "Passe pra Frente" chamou sua atenção.

Jerry, empolgado, pegou a fita e inseriu no vídeo cassete. Sabia fazer isso muito bem, para um garoto criado no século XXI. Começou a assistir a gravação, e a cada palavra que seu "quase-irmão" pronunciava, Jerry ficava mais maravilhado ainda.

De repente, a mãe entrou no quarto. Olhou para Jerry, depois para o vídeo, com olhos tristes. Depois olhou para Jerry novamente. Arlene suspirou e sentou-se ao lado de Jerry para ouvir as sábias palavras do filho. Após o término da gravação, disse:

- Jerry, seu irmão foi uma grande pessoa, apesar de ainda pequeno. Ele que me uniu ao seu pai, para me deixar feliz. Ele que me disse para fazer as pazes com sua avó, que morreu no ano passado. - fez uma pausa, respirou forte - Infelizmente, morreu esfaqueado por um garoto da escola. Filho, eu gostaria que você não seguisse os passos de Trevor. Não continue a "Corrente do Bem", por melhor que ela seja. Por favor. Eu não quero que o mesmo aconteça com você.

- Mãe, por mais que eu queira continuar, honrar meu irmão, acho que a vontade de te deixar feliz é maior. Mas agora que os tempos são outros, a escola é outra, as pessoas são outras, eu percebo que não preciso iniciar um movimento inteiro. Basta amar.e compreender mais as pessoas. pode confiar em mim.

Orgulhosa, a mãe abriu um sorriso que não abria há muitos anos.


E aí, gente? O que acharam? Emocionante ou cliché? Acho que um pouco dos dois. Mas o que eu realmente gostei nesse texto foi a fala de Jerry, que mostrou o quanto os dois "irmãos" são parecidos. Além disso, ele trata Trevor como um irmão mesmo, como se nada tivesse acontecido e como se ele estivesse ali ainda, ao seu lado.

Bom, espero que vocês tenham gostado, e comentem as suas opiniões!
Beijooo

sábado, 28 de setembro de 2013

A Corrente do Bem

Oi gente!

Hoje vou unir duas de minhas paixões: escrever e ver filmes! Como vocês sabem, um dos meus filmes favoritos é "A Corrente do Bem", um filme cheio de mensagens importantes para que a sociedade tenha mais amor e compaixão no futuro.


Ele conta a história de Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um garoto que crê ser possível mudar o mundo a partir da ação voluntária de cada um. O professor de estudos sociais Eugene Simonet (Kevin Spacey) explica para a 7ª série que eles são a geração que pode mudar o mundo e pede que eles apresentem algo que faça com que isso seja possível, mas não espera grandes avanços de cada um.

Trevor, que quase não vê a mãe Arlene (Helen Hunt) e muito menos o pai (Jon Bon Jovi), resolve levar o trabalho proposto por seu professor a sério.

Ele, então, cria a corrente do bem. A ideia consiste em fazer algo para três pessoas que não conseguem o fazer para si mesmo. O interessante é que cada pessoa ajudada tem de fazer isso para outras três pessoas. Assim, a corrente cresceria em progressão geométrica: de 3 para 9, de 9 para 27... Inteligente, não?

Trevor tenta unir sua mãe a Eugene numa tentativa de ganhar um pai e um lar estável, uma vez que ambos estavam já descrentes de que o mundo poderia ter uma nova perspectiva mais positiva. Sem perceber, os dois começam realmente a se apixonar.

Enquanto isso, o projeto de Trevor continua firme e forte, e acaba chegando até um jovem repórter (Jay Mohr), que tenta dar continuidade a uma grande história de solidariedade.

Abaixo estão dois dos trechos mais importantes do filme!


Na próxima postagem eu irei mostrar pra vocês um texto que eu escrevi na escola sobre esse filme. SE ele continuasse, se Arlene e Eugene tivessem um filho, e esse quisesse seguir os passos do irmão, o que aconteceria?

Confira amanhã!
Beijooo

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Fazendo Meu Filme

Oi gente!

Bom, não preciso nem falar que quem gosta de escrever gosta de ler, né! Então, as minhas amigas me recomendaram a série "Fazendo Meu Filme", pois elas simplesmente amaram e queriam que eu compartilhasse desse sentimento também!
Eu relutei um pouquinho, porque não sou (pelo menos não era) desse estilo romântico que predomina no livro. Mas, se vocês clicarem no meu perfil completo vão ver que é um dos meus livros favoritos!
O livro é tão bem escrito que eu não conseguia parar de ler. Simplesmente ficava até tarde lendo, sem me importar com o fato de que no dia seguinte teria que acordar as 6:30.


Se eu contar muito do livro, eu vou acabar estragando tudo. O delicioso nesse livro é que a gente nunca sabe o que está por vir, e por mais que a gente tente, nunca vai conseguir não torcer para que a Fani e o Leo acabem juntos. Além disso, cada capítulo é iniciado por trechos de filmes que adoramos, e é recheado de músicas que derreteram meu coraçãozinho. Se vocês ainda não leram, já passou da hora de começar! Se vocês são devoradores de livros, como eu, garanto que vão terminar a série em menos de um mês!
Obrigada, Paula Pimenta, por ter escrito essa maravilhosa série! A única coisa ruim é que acabou!

Aqui está o site oficial da série, no qual vocês podem conferir tudo sobre os livros, os personagens, as músicas e a autora! http://www.fazendomeufilme.com.br/

Beijooo

A leitora

Oi gente!

Esse foi o primeiro conto que eu fiz na minha vida inteira. E, como raramente gosto muito de alguma coisa que faço, não gostei muito desse. Mas eu tirei 8,5... Nada mal, mas podia ser melhor!
Enfim, a proposta era que continuássemos o trecho de um outro conto já publicado, que ficou famoso por ser tão utilizado em redações escolares.

A leitora

O telefonema pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa àquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto.

Disse a clássica palavra de saudação ao telefone de tal forma que quem estivesse do outro lado da linha tinha certeza de que não ligara em boa hora. Ela não obteve resposta.

Desligou, contou até dez duas vezes para se livrar do sentimento de irritação que se intrometera na sua leitura empolgante. Embora a ligação tenha demorado nada mais que uns 4 segundos, uma eternidade pareceu se passar em vão devido ao intervalo forçado da leitura.

Dirigiu-se à poltrona na qual estava sentada anteriormente. Mal aproximou as costas no encosto macio, o som estridente do telefone voltou a ecoar em seus ouvidos. Levantou-se com o dobro de desgosto da primeira vez e atendeu o chamado com somente um grunhido, aquele que adolescentes balbuciam quando seus pais os chamam. Dessa vez tinha até um pouco de esperança de que alguém  respondesse, mas isso não aconteceu.

Acalmou-se, a princípio como da vez anterior, só que dessa vez foi necessário um pouco mais de tempo. Sentou-se e logo começou a ler, não queria perder mais nem um segundo para descobrir quem matara a garota do livro. E então ela ouviu um som. Era familiar, porém parecia diferente. Era alto, muito alto, estridente, denunciador: o telefone.

A moça se recusou a atender, fingiu que não estava ouvindo para continuar sua leitura, mas a cada palavra que lia o som ficava mais insuportável. O livro caiu de suas mãos, que agora estavam ocupadas em proteger seus ouvidos, que pareciam latejar. De nada adiantou e, com as pupilas de seus olhos negros dilatadas, correu, encostou o telefone ao lóbulo e por mais que ele pesasse, por mais que esse simples ato doesse, gritou. Gritou mais alto que o telefone.

E houve resposta. Ouviu a voz preocupada de sua mãe, que ligava para dizer que tinha saudades da filha que saíra de casa precocemente. E para dizer que a amava.

Depois de um certo tempo, desligou, voltou à poltrona. Não pegou o livro. Só ficou sentada, pensando que amou o livro mais do que a própria mãe. E sem saber quem matara a garota, rasgou-o. Rasgou-o em vários pedaços.



Pois é, gente. É isso. se não gostaram, tudo bem. Nem eu mesma gostei! Comenta aí o que você achou ou o que eu poderia mudar para deixá-lo um pouquinho melhor!
Beijooo